Personalismo e o dilema do PDT.

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É possível um partido com cerca de um milhão de votos em uma única eleição, eleger apenas um deputado distrital? Isso aconteceu com o PDT de Brasília. Mesmo com toda essa votação, a legenda sofre a castração de lideranças. O problema não é a falta de líderes, mas a de formação de um grupo político.

O PDT vive sob a sombra o senador Cristovam Buarque e, em menor escala, do deputado José Antonio Reguffe. São dois políticos bons de voto, mas praticamente sem vida partidária. Não participam de reuniões com a Executiva Regional, nem interagem com filiados. A diferença entre os dois é que Reguffe nunca desce do muro. Tem medo de entrar em qualquer briga. Enquanto Cristovam tenta interferir como um soberano nas decisões do partido, sempre de modo a favorecer o seu projeto pessoal.
Olhar particular – Cristovam é personalista. Não faz política partidária, tão pouco em grupo. Tem um olhar particular das coisas de um ponto de vista individualista. E o PDT sofre com isso. Ele ainda não superou o não-convite para indicar o titular da Secretaria de Educação no início do governo Agnelo Queiroz (PT).
A política não pode ser feita com mágoa, amargura ou ressentimento. O descontentamento de Cristovam, embora frequentemente brando, vem deixando resquícios que já dura um bom tempo. Por vezes é possível percebê-lo no seu semblante, nas palavras e nos gestos.
Sobrevivência – Diante desse quadro de personalismo, a sobrevivência do PDT está no fortalecimento do grupo político e na ascensão de um novo líder. O deputado distrital professor Israel Batista desponta como o nome natural para conduzir o partido. É tão forte essa evidência que já começa a sofrer pressão e retaliação.
 O senador Cristovam, por exemplo, aproveitou a crise que enfrenta o governo Agnelo para forçar Israel sair da base aliada e entregar os cargos. O PDT deixou o comando da Secretaria de Trabalho e da Administração Regional do Lago Norte.
Ou Agnelo ou ele – Cristovam colocou Israel na parede e ameaçou: ou Agnelo ou ele. Se o Israel decidisse não deixar a base de apoio do governo, Cristovam prometeu sair do partido. O problema é que o PDT partidário, formado por filiados e dirigentes, não queria deixar o governo. Acreditam que a crise vai passar e que poderiam ajudar com apoio político.
Lugar algum – Esse tipo de política não vai levar o partido a lugar algum. O PDT precisa se fortalecer pensando nas eleições de 2014. Nenhuma legenda pode ser dependente de apenas um ou dois nomes. Cristovam tem que entender que o partido não é dele. Reguffe precisa colocar na cabeça que se quiser chegar mais longe, como o Senado ou o Governo do Distrito Federal, vai precisar fazer política partidária.
E Israel, caso desponte mesmo como novo líder do PDT, tem que trabalhar em grupo e não cometer os mesmos erros dos bons de voto e ruins de juízo. O PDT, como qualquer outro partido, não deve servir a projetos pessoais. Mas, para enfrentar todo o tipo de personalismo é precisa personalidade. Esse é o desafio que Israel vai enfrentar.
Fonte: Blog do Callado

1 Comment

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    Gilson , 27 de abril de 2012 @ 18:50

    O Cristovam é democrático até demais. E dizer que o Reguffe fica no muro é simplesmente desconhecer totalmente o mandato dele. Ele tem o ódio do governo por posições que tomou, o ódio dos próprios deputados que ele tem que conviver todo dia, por medidas que tomou na prática, e, até da executiva nacional. Eu estava na reunião quando ele falou na cara do Lupi que o Lupi devia sair do ministério. Os dois são 10. E Brasília vai voltar a ser governada com decência. Cristovam governador 2014. Quem é contra é porque deve achar que está tudo bem…

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