Pesquisa mostra dados do consumo cultural de Ceilândia e de Taguatinga

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Os poucos equipamentos culturais públicos da Ceilândia estão concentrados, justamente, no meio da chamada “cracolândia”, que ocupa a QNN 13 e arredores da Ceilândia Norte. Ali, situa-se a biblioteca pública da região, além de um espaço multiuso. Logo ao lado, erguia-se o conhecido Castelo de Grayskull, derrubado em 2012.

Inicialmente projetado para servir como um espaço cultural da Ceilândia, a construção nunca foi finalizada. Ao longo de 20 anos, os moradores pediram pela demolição da obra, o que acabou acontecendo. O local, abandonado, servia como abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. Hoje, um matagal toma conta da antiga construção, mas o tráfico segue firme pelas adjacências.


Em meio ao cenário, nos fundos da biblioteca, encontra-se uma das maiores escolas públicas do Distrito Federal, o Centro Educacional 7 (CED 7), que foi, temporariamente, transferido para a Expansão do Setor O, por motivos de reforma. Ao todo, 2.200 alunos estudam no centro.


A realidade cultural entre os estudantes reflete os números divulgados pela Codeplan, acerca da frequência a teatros, museus, cinemas, entre outros (confira os quadros). “Temos alunos do sexto ano que nunca foram ao cinema”, conta a diretora Simone Rebouças, que recebeu a reportagem do Correio.


Na sala de aula da professora de arte Lidi Leão, que leciona no CED 7, os próprios alunos responderam a algumas questões. Em um contingente de 35 estudantes, apenas quatro disseram já ter ido a uma sala de espetáculos. Número similar à frequência ao teatro divulgado pela pesquisa. De acordo com a Codeplan, 97,14% da população de Ceilância nunca assistiu a uma peça.


“Lembro-me de convidar um aluno para ver uma apresentação de dança. Ele disse que não iria por preguiça. Essa preguiça, na verdade, revela a incompreensão dos alunos frente aos aspectos culturais. Eles ainda não entendem de que maneira o teatro ou uma ida ao museu possam influenciar na formação deles, enquanto cidadãos”, afirma a professora.


Os alunos complementaram a fala da servidora e indicaram uma série de dificuldades no acesso à cultura. “Não tenho coragem de sair à noite. É muito perigoso, dependendo do local”, disse um deles. “Os nossos pais mesmos não costumam ir. Não temos o hábito”, depôs outro.


O alto custo das atrações também foi debatido pela turma. Apenas dois estudantes disseram ter a carteirinha que garante meia-entrada em espetáculos, sessões de cinema e entradas de exposições. “E tive que pagar R$15 por ela. A maioria prefere nem fazer.” 


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