Polícias Militar e Civil do DF realizam ações contra o crack em Ceilândia

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Os principais alvos foram os bueiros usados como abrigos de traficantes e usuários, além do local conhecido como Castelo de Grayskull. Ações ocorreram após denúncia publicada no Correio
Mais de 100 homens, mulheres e crianças surpreendidos pela polícia acabaram levados de ônibus para uma das delegacias da cidade ( Fotos: Kleber Lima/CB/D.A Press)
Mais de 100 homens, mulheres e crianças surpreendidos pela polícia acabaram levados de ônibus para uma das delegacias da cidade

O tráfico e o consumo de crack em Ceilândia virou alvo de operações de segurança ontem à tarde na QNN 1 e na QNN 3, uma das regiões em que o problema é maior na cidade. Os principais alvos escolhidos pelas polícias Militar e Civil foram os bueiros usados como moradia e esconderijo por usuários do subproduto da cocaína, além do Castelo de Grayskull. A ação ocorreu no mesmo dia em que o Correio denunciou a ineficiência do Poder Público nas imediações desses locais. A reportagem mostrou que pessoas de todas as idades continuavam a fumar as pedras, mesmo após série publicada com exclusividade em setembro do ano passado.

Apenas nas duas quadras conhecidas como cracolândias de Ceilândia, as equipes apreenderam 40 homens, mulheres, adolescentes e crianças. Os investigadores também apreenderam CDs roubados, maconha, facas e aparelhos de choque elétrico. À noite, agentes e delegados da 15ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia Centro, estenderam a operação para outros pontos de tráfico na cidade. Ao todo, pelo menos 100 pessoas foram levadas de ônibus para a unidade policial.

A degradação causada pelo crack se tornou evidente. Homens e mulheres surpreendidos pela polícia passam o dia em condições extremas. As galerias de esgoto se transformaram em abrigo para os usuários de crack. Do lado de fora, o vaivém de viciados maltrapilhos não para. Perto dos bueiros, fica uma construção abandonada, batizada por eles de Castelo de Grayskull. Lixo, entulho e restos de comida ocupam o interior do esqueleto do prédio. Um homem e uma criança assavam carne em cima de uma lata de tinta no momento em que as equipes chegaram.


Os policiais encaminharam as pessoas sem pendências criminais para um abrigo em Taguatinga Sul. Dois adultos, no entanto, tinham ordem de prisão, e dois jovens tinha mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Pelo menos 30 crianças e adolescentes fazem parte do grupo de usuários apreendidos. “A maioria, inclusive os menores de idade, acabam voltando. A única solução é vencê-los pelo cansaço. O trabalho na área vai ser rotineiro para se chegar ao resultado esperado”, explicou o delegado-chefe da 15ª DP, Fernando Fernandes. 

Controle
Policiais militares também fizeram uma operação especial nas quadras do crack, em Ceilândia. No início da tarde, horas antes da chegada da Polícia Civil, homens do 8º Batalhão da PM saíram às ruas das QNNs 1 e 3 à procura de traficantes e viciados. Funcionários da Administração Regional de Ceilândia acompanharam os trabalhos para implementar até o fim da semana medidas capazes de evitar o problema nas imediações das duas quadras.

Um dos principais objetivos será impedir o acesso ao Castelo de Grayskull. O administrador regional da cidade, Ari de Almeida, garantiu que o prédio abandonado será cercado e receberá iluminação pública até sexta-feira. Além disso, segundo ele, a guarita onde dois vigilantes ficarão 24 horas será revitalizada para garantir a segurança do lugar. “O foco é controlar a situação. A demolição é um prejuízo para o Estado. Em um segundo momento, será estudado o que vai ser feito do local, que pode virar um ginásio de esportes”, afirmou.

As galerias de esgoto em que gente de todas as idades se esconde para fumar crack sem perturbação também sofrerão alterações. Segundo Ari, os operários da administração vão instalar grades de ferro nos bueiros para evitar o trânsito de pessoas, sem prejudicar o escoamento da água da chuva. Quando os militares e os técnicos da administração visitaram as QNNs 1 e 3, porém, os buracos estavam inabitados. As equipes abordaram 12 pessoas, entre elas dois deficientes físicos, em atitudes suspeitas nas redondezas. “A maioria tem casa, são usuários com residência fixa no DF ou no Entorno. É um trabalho de saturação”, explicou o subcomandante do 8º BPM, major Carlone Batista da Silva. 

Os militares ainda recolheram cachimbos e algumas pedras de crack. O major Carlone ressaltou que ações contra o tráfico do entorpecente ocorrem com frequência e que a situação melhorou, se comparada a meses anteriores. “O único elemento adverso é a questão do serviço social. Essas pessoas precisam de acompanhamento psicológico por conta da dependência química”, acrescentou.

Além de crack e de maconha, foi recolhido um aparelho de choque
Além de crack e de maconha, foi recolhido um aparelho de choque


Projeto cultural

A obra inacabada integra o projeto Centro Cultural de Ceilândia. O espaço é uma reivindicação dos moradores desde 1980, e a primeira parte da edificação começou a ser levantada em 1986. Fariam parte do complexo seis prédios, mas somente dois saíram do papel em decorrência dos altos preços do serviço. A construção acabou abandonada e mantém apenas com os muros que remetem às paredes de uma modesta fortaleza. A semelhança garantiu ao esqueleto de concreto o apelido de Castelo de Grayskull, em referência ao desenho animado He-Man.

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