Professor de Ceilândia faz sucesso ao criar paródias com conteúdos de História

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[Jornal de Brasília] Incentivar o envolvimento dos
alunos e fugir do estilo tradicional de dar aulas. Com essa ideia em mente,
Leonardo Costa, 31 anos, professor de História dos ensinos Fundamental e Médio
do Centro de Ensino Ebenézer da Ceilândia (Ceneb), faz paródias de músicas de
pagode para transmitir o conteúdo aos estudantes. Recentemente, uma das versões foi postada na página Diário de Ceilândia e viralizou na internet.
Para que os alunos pudessem
fixar a história do Egito Antigo, o educador fez uma paródia da música Caraca,
Muleke!, de Thiaguinho – pagode está entre os estilos que Leonardo mais gosta.
O vídeo teve mais de 20 mil visualizações.
O docente leciona nesta escola
desde 2009 e tem um filho que estuda ali. “Eu pareço criança quando estou com
meu filho”, conta ele. Um dia, revisando a matéria em casa, o menino perguntou:
“Pai, porque o senhor não coloca o conteúdo da matéria nas músicas e leva à
sala de aula para ficar mais fácil de entender?”. Foi quando surgiu a primeira
paródia sobre as Cruzadas, quando o garoto estava no 6º ano, com a música Fugidinha,
de Michel Teló e também interpretada por Thiaguinho. O vídeo ainda vai ser
publicado no Facebook de Leonardo, assim como os outros.

A partir dali, ele viu que os
alunos receberam bem a ideia e continuou fazendo outras versões. A música sobre
a Primeira Guerra, por exemplo, foi inspirada na paródia de outro professor,
mas adaptada à realidade dos estudantes dele, com foco no contexto do que o
Programa de Avaliação Seriada (PAS) cobra. Atualmente, ele lançou uma disputa
entre as turmas. “A classe que acessasse mais o Facebook e garantisse mais
visualizações ganharia pontuação extra na prova”, explica.

A melhora no rendimento
escolar e a receptividade grande dos alunos quanto às paródias e aos vídeos
foram notáveis. Há turmas que não têm aulas com Leonardo e ficam ansiosas para
avançar de ano e ter a oportunidade de aprender com as músicas. “Eles querem
ter acesso às tecnologias e às redes sociais”, comenta.

Elogios são incentivo

Para o professor Leonardo
Costa, o aluno se interessa pela aula do docente que domina o conteúdo sem se
prender ao livro didático e que passe as matérias de forma dinâmica. Mas ele
ainda acha que existe preconceito em relação à exposição dos educandos nos
vídeos. Por outro lado, o problema começa a ser superado a partir do momento em
que o pai conhece melhor o método de aprendizado que o professor está passando
para os filhos no colégio.

“Os pais gostam desse tipo de
trabalho. Às vezes, por meio da diretora e da coordenadora, fico sabendo que
eles gostaram muito das paródias”, alegra-se.

Leonardo já esteve nas salas
de aula dessa escola também como aluno. Ele lembra de projetos que despertavam
a criatividade e transmitiam os conteúdos do Programa de Avaliação Seriada
(PAS) de forma que as pessoas se envolvam mais. Com muita nostalgia, ele fala
do professor que o inspirou a seguir a carreira didática: “Meu professor era
muito legal, trabalhava com canetão e apagador, apenas. E isso me inspirou a
não ficar preso”.

Para ele, ser capaz de
inspirar alunos a lecionar também vai ser de grande felicidade. Inclusive, um
ex-aluno dele hoje está cursando História e se espelhou nele para a escolha do
curso. “Ver que meu trabalho é reconhecido pelos alunos e pela instituição me
transforma em um ser humano melhor”, comemora.

Equipe criativa

Orgulhosa da equipe de ensino,
Kelcy Rios, diretora do Ceneb, conhece bem o projeto do professor Leonardo, de
ministrar os conteúdos por meio de paródias, e diz que isso faz com que os
alunos assimilem melhor a temática proposta.

“Além dele, temos uma
professora que trabalha o teatro, e outro que incentiva os estudantes a
produzir filmes”, menciona. Kelcy destaca que o festival de teatro promovido na
escola obtém um retorno expressivo por conta das iniciativas dos professores
que aproximam o aluno.

Amanda Karolyne do Jornal de Brasília

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