Professores de escola em Ceilândia relatam ameaça de sindicato por furar movimento

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[G1-DF] Professores do Centro Educacional
3 de Ceilândia, no Distrito Federal, que não aderiram à greve afirmam ter sido
intimidados pelo Sindicato dos Professores (Sinpro) em visita à escola na
última sexta-feira (24).

De acordo com o professor
Lourenço de Souza, o dirigente do Sinpro Júlio Barros teria proibido que os
docentes continuassem as aulas e aplicassem provas sob “ameaças” em caso de
descumprimento. A maioria dos professores da escola não aderiu à greve. “Nós
estamos dando aula normalmente e a maior parte dos alunos está vindo”, diz
Souza.

Questionado, Barros informou
ao G1 que “é natural que em situações
como essa, os debates seja acalorados. mas, em hipótese alguma, houve ameaças a
quem quer que seja”.

“Ao chegar lá [na
escola], todos que compõem a nossa equipe ficaram chocados e indignados com a
aplicação de provas, como se a situação de greve da categoria da educação fosse
em outro planeta. Avaliamos essa prática como desrespeitosa para com a
categoria que está em greve e como forma de intimidação dos estudantes – que,
em grande maioria, são solidários à greve.”

Segundo o professor Souza, com
a chegada do Sinpro, os alunos foram liberados das aulas para participar do
movimento. “Cerca de 20% deles saíram em apoio.” Os estudantes que estavam do
lado de fora das salas, com as mochilas nas costas, entoaram em coro “Não vai ter
aula”.

Quando os representantes do
Sinpro chegaram à escola, por volta das 9h, “o combinado era conversar com os
professores na sala de reuniões”, conta Souza. “Mas eles chegaram fazendo
piquete, gritando nas salas, fazendo barulho.”

Em vídeo gravado por Souza, o
diretor do Sinpro afirma que “aplicar prova é dar um atestado de chantagem aos
estudantes, ao movimento”. Segundo o professor, naquele momento, uma turma
fazia prova. “Ele ameaçou os professores, do mesmo jeito que fez em 2015. Disse
‘se vocês continuarem dando aula eu não me responsabilizo pelo que vai
acontecer aqui dentro’.”
O Sinpro informou ao G1 que “se os fatos se confirmarem”, este
tipo de comportamento “não é uma orientação do sindicato”. “O ambiente de greve
acaba despertando sentimentos de indignação, de quem adere e de quem não. Mas
as relações truculentas não ajudam em nada.”

O professor optou por não
aderir ao movimento porque, segundo ele, o GDF não tem condições de atender às
demandas salariais. “Prefiro dar um crédito ao governador e seguir conversando,
porque a situação do DF está ruim agora.”

Quanto à reforma da
previdência – outra pauta de protesto da greve –, Souza se diz favorável, mas à
forma não como foi proposta. Ele sugere que, ao invés de paralisar as
atividades, os professores encaminhem uma emenda ao projeto. “O Temer também já
tirou os estados e o DF das alterações da reforma. Por enquanto, ela não vai
atingir a gente.”
Pagamentos atrasados

A paralisação dos professores
começou no último dia 15. A categoria reivindica o pagamento da quarta parcela
do reajuste salarial, prometida pelo governo Agnelo, que deveria ter sido paga
em outubro do ano passado.

Em assembleia na terça-feira
(21), a categoria decidiu continuar a greve. Segundo o sindicato, dos 30 mil
docentes, 10 mil participaram da reunião que aprovou a continuidade da
mobilização. O GDF diz que não tem condições financeiras de arcar com o
reajuste reivindicado pelos professores.

Por G1-DF

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