“PT e PMDB não precisam um do outro” afirma Magela.

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Por Daniel Cardozo – Mesmo com sinais de racha entre PT e PMDB no Buriti, o secretário de Habitação, Geraldo Magela (PT), afirma que a aliança entre eles é conveniente e que um cenário favorável seria a manutenção dessa coligação para as próximas eleições. O ex-candidato a governador do DF também desconversa sobre um possível fogo amigo que esteja acontecendo dentro do GDF e vê um quadro mais calmo no ano que vem, quando forem anunciadas as candidaturas. Sediar a Copa do Mundo será, segundo Magela, uma “janela de oportunidades”. Afinal, assegura, “os ônus nós já pagamos, estavam na construção do estádio, que consumiu mais de R$ 1,6 bilhões e que levou dois anos para ficar pronto”. O momento agora é outro. “O que virá agora será positivo, será bônus”, garantiu.

O senhor foi derrotado na eleição para governador em 2002 por uma margem mínima e nas prévias do PT, em 2010, também. O senhor ainda quer ser governador?

Eu quero ser governador do Distrito Federal. Acho que todo político tem o objetivo de governar o seu estado. Eu sei que ser governador depende também de vários fatores. Um deles é a oportunidade, o outro são as alianças. Nesse momento, eu acho que a oportunidade é de nós continuarmos com a candidatura do governador Agnelo Queiroz e o meu projeto de ser governador vai ser adiado.
Como o senhor definiria a coligação com o PMDB? Ela é essencial para o PT?
A coligação com o PMDB é uma coligação conveniente. É boa para o PT e também para o PMDB. Se me for perguntado se o PT pode ganhar sem o PMDB, eu diria que pode, mas não é conveniente. O mesmo vale para o PMDB. O conveniente é mantermos a coligação que  temos hoje, não apenas com o PMDB, mas preservar a aliança que temos hoje no governo do Distrito Federal.
Qual seria a maior ameaça à reeleição do governador? As forças políticas mais tradicionais, como Roriz e Arruda, ou seria a esquerda?

Eleição é muito de momento. Nós podemos ter uma eleição como uma dificuldade maior ou menor, dependendo dos adversários. Mas acho que a maior dificuldade é nossa. Nós ainda não conseguimos mostrar o quanto nosso governo é bom. Nosso governo é muito melhor do que parece. Os desafios neste momento, na minha avaliação, não estão nem nos adversários que vamos enfrentar, nem nas alianças que vamos fazer. Está em mostrarmos aquilo que estamos fazendo.
Um secretário, colega seu, costuma dizer que não faltam obras para o governo, faltam obras que a população possa ver e conviver com elas.
O que nós vamos ter para explicar para a população é que ao assumiu o governo, Agnelo assumiu uma tarefa. Já existia o compromisso do governo de Brasília ser sede da Copa do Mundo e não podia abrir mão disso. Até porque é bom para a cidade. E, para Brasília ser sede, tinha de concluir o estádio. O estádio consumiu uma soma de recursos muito elevada. Com isso, foi necessário sacrificar obras pequenas nas cidades. Além disso, nós pegamos o governo praticamente sem nenhum projeto feito. Nós estávamos mais de um ano sem governador, porque os governadores foram todos tampões. Quando você precisa fazer, como no meu caso, 100 mil unidades habitacionais,  precisa ter projeto urbanístico, licença ambiental, registro de terras. Nada disso estava pronto. 
Sobre as obras da Copa do Mundo, até que ponto elas podem ser boas para a cidade e partir de que ponto elas podem atrapalhar?
Temos que mostrar para a população que ser Copa do Mundo é muito bom. Vamos ter a oportunidade de mostrar Brasília para o mundo inteiro. É o que nós chamamos de janela de oportunidades. Nós vamos poder mostrar que Brasília tem uma arquitetura ímpar, tem um clima ímpar e que, sendo a capital do Brasil, pode também ser a porta de entrada de milhares de visitantes por ano. E isso pode significar que a atividade econômica principal pode ser o turismo. 
E os ônus dessa situação?
Os ônus nós já pagamos. O ônus de ser sede da Copa do Mundo foi a construção do estádio, que consumiu mais de R$ 1,6 bilhões e que levou dois anos para ficar pronto. Eu diria que o ônus de ser sede da Copa do Mundo nós já assumimos e já quitamos. O que virá agora será positivo, será bônus.
No caso da sua secretaria, como está o ritmo de entrega dos imóveis para a população? Vai ser possível acelerar isso antes da eleição?

Quando assumimos a secretaria, era zero. Não tinha uma unidade habitacional, um apartamento, uma casa planejada. Então, nós tínhamos que planejar e executar. Hoje já temos cerca de 20 mil unidades habitacionais em processo de construção, outras 75 mil unidades licitadas, em processo de construção, e 25 mil em finalização de  licitação. Isso significa que, quando entrarmos em 2014, já teremos 100 mil famílias selecionadas — e sabendo que serão beneficiadas pelo programa habitacional, mesmo que essas unidades não sejam entregues todas em 2014. Mas nós já vamos estar dizendo: “olha, você vai ser contemplado no Paranoá, Riacho Fundo II, Samambaia ou no Gama, e você vai levar seis meses, oito meses, um ano, um ano e meio, para receber sua habitação”. Então o contemplado já vai saber que o seu imóvel está  em processo de construção. Isso vai ser positivo.
Qual o preço a se pagar em um ano pré-eleitoral, com tanto fogo amigo acontecendo?
Precisamos ter claro o seguinte: a política sempre foi como ela está sendo hoje. Não existe nada de novo. O fogo amigo é resultado, se assim pode ser chamado, dos interesses. Todos os partidos têm interesses. Então, os interesses, neste momento, eles são manifestos, porque nós estamos em um período final de filiação, de conformação partidária. Quando chegarmos a outubro e novembro, teremos uma situação diferente da de hoje, muito mais tranquila. Quando chegarmos a abril do ano que vem, teremos outro período de efervescência, que vai ser o período de conformação das alianças. Não vejo que isso seja problema, porque é natural da política. O PMDB tem os seus interesses, o PP, o PR, PTB, PDT. E o PT. É natural que neste momento eles pareçam ser conflitantes, mas vão ser convergentes em um momento futuro.
Nós sabemos que, embora não haja pesquisas divulgadas, que a aprovação do GDF está muito baixa. Como fazer para reverter esse quadro?

Tenho a convicção de que a situação do governo é positiva e vai dar resultados. Mas eu tenho convicção também que nem sempre é a qualidade do governo que faz o resultado eleitoral é positivo. Quem ganha eleição é a política, não é, necessariamente, o governo. O governo precisa ser bom, mas o que ganha eleição são as alianças, o processo político. Vou dar alguns exemplos. O governo Cristovam Buarque  tinha 84% de aprovação e perdeu a eleição (em 1998). O prefeito de Salvador, João Henrique. tinha uma rejeição muito grande e ganhou a eleição, embora tenha ido para o segundo turno com pouco mais de 20% de votos. Isso pode acontecer em qualquer lugar: um excelente governo que perca a eleição e um governo sem tenha muita aprovação e que ganhe a eleição. No caso do DF, a minha avaliação é que o governo vai mostrar o que está fazendo e que tem todas as condições de manter a aliança e ganhar a eleição. Esse momento atual é um momento de reversão. Nós tivemos muitas dificuldades, a saúde teve muitos problemas, a segurança teve problemas. Agora não. A saúde já é bem avaliada, ou é melhor avaliada do que no início do governo, a segurança já tem bons índices de avaliação. Teremos, efetivamente, o que mostrar na campanha. Minha preocupação não é o hoje, não é o dezembro. Minha preocupação é o agosto, o setembro e o outubro de 2014. O governo vai ter muita coisa para mostrar quando chegarmos lá.
Existe uma estratégia de ganhar a eleição por WO?
Não, não. Se a eleição fosse ganha por WO, seria idiotice. Porque não existe disputa eleitoral sem adversário. Pelo contrário, eu até acho que é melhor termos adversários fortes, porque nos força a ter uma estratégia adequada, do que não ter adversário nenhum. Ninguém aposta em WO e seria um equívoco se existisse essa aposta.
O senhor mencionou a licitação do transporte, que foi um processo muito tumultuado, com muitas liminares e, mais recentemente, suspeitas de irregularidade. Isso arranhou a imagem do governo?

O processo de substituição das empresas do transporte público seria muito polêmico e não haveria como não ser. É muito dinheiro e muito interesse contrariado. Então, naquele momento, você teria efetivamente muitas ações. Não haveria condições de ser um processo pacífico. Portanto, ter feito a renovação, a licitação e estar colocando ônibus novos é uma grande vitória do governo e vai demonstrar que foi bem-sucedida daqui a um ano. 
Na sua área, a gente está vendo movimentação de muitos grupos, como o MTST, que obstrui vias do DF e protesta frequentemente. Vai se admitir que furem a fila?

Primeiro nós não vamos admitir nenhum tipo de irregularidade. Qualquer irregularidade que for denunciada ou for demonstrada nós vamos combater. Nós temos 540 cooperativas inscritas, algumas estão sendo descredenciadas por denúncias de irregularidade. Nós temos hoje um cadastro que foi duas vezes premiado, como transparente e justo. E agora mesmo acabou de ser premiado pelo sistema E-gov, como um cadastro que é reconhecidamente limpo. Nós vamos dialogar com os movimentos sociais, mas vamos dialogar com muita firmeza, dizendo o seguinte: vamos ofertar 100 mil unidades habitacionais, fazendo justiça, com transparência. Então, ninguém precisa invadir nada, ninguém precisa fazer ocupação nem precisa furar fila nenhuma. Vamos fazer o cadastro e ele vai ser obedecido pelas cooperativas e pelos inscritos individualmente. 
Esse sistema de cooperativas sempre trouxe muitas suspeitas, críticas. Como se resolve essa situação?
Olha, a primeira coisa que nós precisamos dizer é que a Lei Orgânica do DF e a Lei da Habitação no DF obrigam os governos a atender cooperativas. Então, o governo não atende só porque quer, é porque é obrigado pela lei. O que nós fizemos foi moralizar o processo das cooperativas. Primeiro, as cooperativas precisam se cadastrar. Depois elas tem que trazer os seus associados para dentro do cadastro. E nós hoje pegamos o cadastro das cooperativas e fazemos com que ela seja ranqueada, classificada com os mesmos critérios das outras pessoas. Na hora de fazer a convocação, nós convocamos rigorosamente dentro da lista. 
Se a ordem de classificação pode ser revogada, porque manter esse sistema de convivência com essas cooperativas?
Eu diria que hoje no sistema que nós temos, do Minha Casa, Minha Vida e do Morar bem, nós poderíamos prescindir das cooperativas, mas o movimento social é muito vivo, ele ajuda. Se nós tivermos as cooperativas agindo de maneira lícita, legal, elas podem ajudar. Se não for assim, nós excluiremos. 
Que efeitos terão a mobilização sociais e movimentos de rua?

Quando vieram as manifestações de junho, eu dizia que elas eram localizadas e que não seriam permanentes. Vou fazer aqui uma comparação que eu nunca tornei pública. Mas as pessoas começaram a olhar para os estádios no Brasil inteiro e dizer o seguinte: “bom, esse governo foi competente. Ele conseguiu fazer um baita de um estádio, porque nossos estádios são padrão europeu, que custaram caro e demoraram para fazer” e a população aplaudia, mas porque o governo foi competente. Mas por quê não tem essa mesma competência para fazer hospital e escola? Isso foi o que chocou a população. Temos que reconhecer e aplaudir isso. Eu acho que a população fez correto e deveria continuar na rua para exigir dos governo, em uma alusão à Fifa, que os hospitais, a segurança, o transporte, as escolas fossem padrão Fifa. O problema é que vieram com estas manifestações aqueles que nunca estiveram manifestando por isso e começaram de uma forma anárquica a agredir o patrimônio público, privado e com isso não podemos concordar. Houve um descompasso, tanto que houve manifestação de 300, 400 pessoas no 7 de Setembro e não mais 40 ou50 mil. Não dá para ouvir pessoas que vão mascaradas para destruir tribunais, atacar a população. Eu até quero fazer uma crítica ao Caetano Veloso. Ele colocou a máscara dos black blocs, para dar apoio a eles. Eu  fui manifestante, mas eu nunca fui para cobrir a cara para fazer manifestação. Primeiro, porque o que eu sempre defendi, eu achava que tinha que ser defendido abertamente e eu nunca precisei esconder a cara para fazer manifestação. 
Objetivamente falando, os vândalos fizeram um favor aos governos, afastando as pessoas comuns dos protestos?
Na época da Ditadura Militar, quando a gente combatia o autoritarismo, quando a gente a combatia a covardia dos que tinham armas, atacavam os que lutavam pela democracia, a gente costumava dizer que os ultra-radicais eram os amigos da direita, faziam o papel da direita. Certamente, aqueles que não querem a democracia das ruas estão felizes com a ação dos black blocs, porque eles estão fazendo o papel de tirar aqueles que legitimamente lutam por melhorias sociais nas ruas. Eu acho que isso é, de novo, a junção dos extremos. Os extremos se encontram.



Informou Jornal de Brasília

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