“Quem manda aqui são os bandidos”, desabafa morador de Ceilândia.

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Em quatro anos, esta padaria de Ceilândia foi assaltada pelo menos 18 vezes

A violência disparou nas seis primeiras semanas de 2014 na capital federal. Dados da SSP-DF (Secretaria de Segurança Pública do DF) mostram que pelo menos 85 pessoas perderam a vida para a violência, uma média de duas mortes por dia, até o dia 07 de fevereiro. O período de alta da criminalidade coincide com uma paralisação da Polícia Militar do DF, a ‘Operação Tartaruga’, agora chamada de ‘Operação Legalidade’.
O número maior de homicídios está concentrado em Ceilândia, região mais populosa do Distrito Federal, a violência é denunciada diariamente aqui no Blog do Protázio.


Com mais de 450 mil habitantes, 34 pessoas foram assassinadas nas quadras QNNs 3, 7 e 9, consideradas por um especialista da UnB (Universidade de Brasília) como as áreas mais violentas da capital do País. Para os irmãos e empresários Edgar e Wesley Pereira da Silva, de 36 e 33 anos, respectivamente, moradores da região, o local é dominado pelos bandidos.

— A gente tem medo de falar porque quem manda aqui são os bandidos. O tráfico de drogas é muito intenso por essas bandas e direto alguém perde a vida. Os traficantes e usuários cometem vários assaltos para manter o vício ou comprar mais drogas e a gente fica no meio do tiroteio. Trabalhamos praticamente para sustentar bandido e nunca temos certeza de que voltaremos vivos para casa.

Os dois mantém uma padaria há quatro anos. Durante este período, o estabelecimento foi alvo dos bandidos 18 vezes. No dia 1º de fevereiro, Wesley presenciou um duplo homicídio a poucos metros do local de trabalho.

A comerciante Sheila Moreira de Sousa, de 31 anos, moradora de Ceilândia desde que nasceu, perdeu o irmão mais novo há seis anos na porta de casa. Ela disse que pretende casar e ter filhos em outros estados brasileiros.


— Meu irmão cresceu junto com o amigo, que já era jurado de morte. Eles estavam na porta da minha casa conversando quando dois homens apareceram e atiraram. O amigo dele morreu na hora e meu irmão foi morto pouco depois porque viu quem eram os assassinos.

Apesar de a família continuar vivendo no local, ela garantiu que não vai deixar as duas filhas pequenas crescerem em meio à violência e criminalidade. Por isso, trabalha e estuda para dar um futuro melhor às crianças.

— Não quero mais morar aqui porque tá demais. A violência estrapolou todos os limites e bandido não respeita mais a polícia. O pior é que não adianta mudar para o próprio DF, porque todas as regiões estão contaminadas. Quero viver com paz com minha família. Talvez em outros estados ou cidades mais pacatas.

Para especialista e sociólogo da UnB, Antônio Flávio Testa, essa é a realidade que a população do Distrito Federal vive diariamente por “omissão do Estado”. Ele disse que enquanto as vítimas e seus familiares sofrem com a violência, que cada vez mais se firma como um problema “sistêmico e generalizado”, os criminosos fazem o que querem porque acreditam que sairão praticamente impunes.

— É preciso fazer uma reestruturação violenta em todo o sistema e as autoridades devem tomar posturas mais firmes e definitivas para conter os criminosos o mais rápido possível, antes que a situação saia completamente do controle.

O sociólogo relatou que, a sensação de inegurança, antes confinada apenas à periferia,  se alastrou por todo o Distrito Federal, uma vez que a violência começa a aparecer nas áreas mais nobres e até então consideradas “tranquilas”.

— Estamos falando de Lago Sul, Lago Norte, Asa Sul, Asa Norte, Águas Claras, Park Way, enfim, lugares onde vivem diplomatas, autoridades e executivos. Hoje, ninguém pode ser dar ao luxo de andar nas ruas sem desconfiar de tudo e todos.   

Reforço


Procurada para comentar o assunto, a Secretaria de Segurança Pública informou que a ação integrada entre as polícias Civil e Militar será reforçada em 2014 para diminuir a violência em todo o DF.

A PMDF (Polícia Militar do DF) explicou que os policiais não estão mais em Operação Tartaruga e todo o efetivo está nas ruas, em especial nos pontos mais críticos, fazendo o policiamento ostensivo e preventivo. A polícia também pediu para que a população colabore com os trabalhos e denuncie a ação dos bandidos, ligando para o 190 ou 197. 
R7 com adaptação.

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