Criança mantida em cárcere privado em Ceilândia seria sacrificada, afirma jornal

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[Portal Metrópoles] Uma reportagem publicada hoje (10) no jornal Metrópoles, afirma que o destino da criança
trancada pela própria mãe em um quarto escuro em Ceilândia após uma pastora
evangélica induzi-la a acreditar que a filha estava possuída pelo
demônio poderia ter um desfecho trágico. De acordo com jornal, denúncias levadas ao
Conselho Tutelar da região administrativa por uma testemunha dão conta de
que a menina de 8 anos seria sacrificada. O ritual de
exorcismo teria a participação da própria mãe e da pastora Jacivã
Pereira dos Santos, conhecida como Jaci, 44 anos, que prega na igreja
Casa da Oração Pentecostal dos Escolhidos de Deus. 

Ambas foram presas na última
sexta-feira (5/8), quando a Polícia Militar resgatou a menina, que vivia
trancada em um quarto escuro nos fundos do templo, em Ceilândia
Norte. No entanto, a mulher e a suposta religiosa foram libertadas no domingo
(7), após audiência de custódia na Justiça do DF.

O episódio provocou uma
enxurrada de denúncias recebidas pelo Conselho Tutelar, e o caso pode ser ainda
mais assustador. Segundo relatos de testemunhas, pelo menos quatro crianças foram abandonadas pelas mães
— todas fiéis da igreja — por suposta influência de Jaci.

Jacivã teria convencido
as mulheres de que os filhos delas estavam com o “demônio no corpo”. Por
isso, precisavam se afastar das crianças. As fiéis seriam orientadas a se
separar dos maridos e a cortar relações com todos os parentes, com a desculpa
de que todos estariam “endemoniados”.

Na noite de terça-feira (9/8),
o Metrópoles esteve na igreja em Ceilândia Norte e registrou parte do
culto. Mesmo depois de passar 48 horas na cadeia, Jaci fez questão de
contar aos fiéis que, de fato, a menina vítima de cárcere privado estava com o
“demônio no corpo”, e que poderia se tornar uma ameaça a todos. “Qualquer hora
ela poderia pegar e matar, né? Manifestar os demônios”, disse a pastora
durante o culto. Quando percebeu que estava sendo gravada, ela fechou as
portas do local.

A influência de Jaci

Jéssica (nome fictício)
é parente de uma mulher que abandonou o filho, de apenas
6 meses, por acreditar que o menino estava possuído. Sob a condição de não
ter a identidade revelada, ela conversou com o Metrópoles e
contou que a familiar é uma empresária, dona de uma escola de
educação infantil em Ceilândia. Ainda assim, foi influenciada por Jaci.

“Ela tem formação superior em
pedagogia. Não se trata de uma pessoa humilde e sem instrução, mas teve a
personalidade modificada por essa pastora. Ela foi convencida a largar o
marido e a abandonar o filho de 11 anos com o pai. Por último,
entregou o seu bebê de 6 meses para adoção simplesmente porque a pastora
afirmou que todos estavam possuídos”, contou a mulher.

Segundo a denúncia, que foi
encaminhada ao Conselho Tutelar, a intenção da pastora teria motivação
financeira. O plano seria afastar parentes e garantir o pagamento do
dízimo (doações à igreja), sem interferências. “Como essa minha parente é dona
de uma escola e fatura um bom dinheiro, a pastora recebe cerca de R$ 2 mil por
mês com o dízimo”, contou.

Ainda segundo essa testemunha,
a fiel cortou relações com todos os parentes mais próximos e o bebê
foi deixado em um abrigo do governo, aos cuidados da Vara da Infância e da
Juventude (VIJ). “Tentamos ficar com a criança, todos da família queriam, mas
ela disse que o bebê estava com o demônio e que deveria morrer. Estamos
tentando reaver a guarda”, desabafou a familiar da frequentadora da
igreja.

Mais um caso

Outra apuração conduzida pelo Conselho Tutelar envolve um casal de servidores
públicos. A mulher foi convencida que o marido e o filho estariam sendo
“comandados pelo demônio”. Ambos também frequentavam a igreja de Jaci. O modus operandi foi
o mesmo dos demais casos. A fiel teria sido orientada pela pastora a
abandonar todos os parentes, mas sem se esquecer das obrigações com o
dízimo. A funcionária teria se separado do marido, e a criança ficou com o
pai.

Após o culto da noite de terça
(9), o Metrópoles tentou falar
com Jacivã, mas ela se recusou a comentar as acusações. A empresária
que deu o filho para a adoção e faz parte do grupo de fiéis da igreja também
foi procurada na escola que administra, mas não foi localizada.

Pai quer a guarda

O pai da criança
que foi mantida em cárcere privado 
entrou
em contato com Conselho Tutelar. O homem não tinha contato com a menina havia
cerca de dois anos e, agora, tentará lutar pela guarda da filha.

A menina permanece internada
no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) se recuperando de um quadro de grave
desnutrição. Ainda não há previsão de alta. O pai chegou a visitá-la na unidade
hospitalar. Em depoimento, ele disse que não sabia da tortura.

Um vídeo divulgado pela
Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) mostrou o momento em que a menina
foi encontrada pelos militares. As imagens revelam a negligência com que a
criança era tratada. Estava magra, deitada no chão sem qualquer proteção e
totalmente abandonada.
Assim que os conselheiros
chegaram à residência, a mãe alegou que a filha estava no quarto porque era
doente, não andava e tinha dificuldades para falar. “Levei ela no hospital
várias vezes, a médica desconfia que ela também tenha gastrite”, disse a mãe.
Fraca, a criança não conseguia se levantar do chão. Ela estava trancada em um
quarto vazio, sem móveis e no escuro, por ao menos dois meses, suspeita a PM.

*Reportagem de Carlos Carone
*Portal Metrópoles (http://goo.gl/XuKhny)

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