Roriz entra em campo para salvar a filha .

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Roriz entra em campo para salvar a filha Foto: Renato Araujo e Antonio Cruz/ABr

Ex-governador telefonou, pessoalmente, para presidentes de partidos durante o fim de semana e articula um resultado favorável no julgamento da filha, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), previsto para amanhã

 

Priscila Mesquita_Brasília247 – Diferente do que faz na maioria dos fins de semana, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) ficou em Brasília no sábado e no domingo. Aliás, ninguém da família foi para a fazenda do clã, em Luziânia (GO). Ficaram todos reunidos na residência do Park Way, trabalhando pela absolvição de Jaqueline Roriz. A deputada federal será submetida ao julgamento de seus pares amanhã, no plenário da Câmara dos Deputados. A participação de Roriz foi incisiva: ele ligou para os presidentes de partidos para argumentar em favor da filha.
À medida que falava com os políticos, o ex-governador contabilizava, com a ajuda dos assessores, os votos favoráveis. O principal argumento, a cada ligação, era o de que Jaqueline não era parlamentar à época em que foi buscar dinheiro na sala de Durval Barbosa, delator do Mensalão do DEM. Caso o placar seja pela cassação, a jurisprudência aberta, dizia Roriz, será perigosa para todos os deputados.
O ex-governador adotou a tática de ligar para os presidentes dos partidos por uma questão prática. Falar com 513 deputados seria impossível. Falar com os líderes dos partidos na Casa era uma opção, mas ele avaliou que uma decisão de partido terá mais peso e força do que uma decisão de bancada. O retorno dos interlocutores foi, em sua maioria, positivo, de declaração de apoio. Por isso, ao fim da maratona, veio o otimismo. Pelas contas feitas no Park Way, Jaqueline será salva da cassação.
Há, obviamente, fatores a ser considerados na contabilidade que podem mudar o quadro e trazer surpresas. A influência de Tadeu Filippelli – vice-governador e ex-aliado da família – na bancada do PMDB é uma delas. Presidente da legenda no DF, ele tem poder de articulação junto aos parlamentares, também por ter sido deputado federal durante muitos anos.
Os que acreditam na cassação avaliam que o peso das imagens será decisivo contra Jaqueline. Afinal, a Caixa de Pandora abalou o cenário político de uma forma definitiva para os que tiveram os vídeos divulgados. Na Câmara Legislativa, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli renunciaram ao mandato. Eurides Brito foi cassada. Os outros cinco citados no Inquérito 650 – Aylton Gomes (PR), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Rôney Nemer (PMDB) e Rogério Ulysses (PSB) – não foram julgados pelos colegas e os quatro primeiros até foram reeleitos. Rogério Ulysses foi expulso do partido e não pôde concorrer em 2010.
Vida normal
Com a saúde bastante abalada por consequência da diabetes – Roriz tem feito sessões de hemodiálise com frequência –, o ex-governador tenta levar uma rotina normal em meio à ansiedade dos últimos dias. Na última sexta-feira, visitou o empório Mercado Municipal em companhia da mulher, Weslian, e da filha Liliane, deputada distrital (PRTB). Lá, compraram bacalhau e outras iguarias. Na semana passada, ele esteve no novo restaurante de Brasília, Bela Sintra, especializado na culinária portuguesa.
Jaqueline tem circulado pela cidade, entre uma sessão e outra de media training, para se preparar para o discurso. Na quinta-feira foi a uma festa de casamento, acompanhada do marido, Manoel Neto, que aparece com ela no vídeo de Durval. Durante o processo de votação, Jaqueline falará por 25 minutos. Será a última a se pronunciar, depois de Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do caso, e José Eduardo Alckmin, advogado de defesa. Os dois também terão 25 minutos cada um. Além disso, está combinado que os deputados não discursarão em plenário sobre o assunto. Apenas os líderes vão se pronunciar, caso necessário.
Um dos maiores interessados no resultado da votação de amanhã é Laerte Bessa (PSC), ex-deputado federal e suplente de Jaqueline. Ao Brasília 247 ele garantiu não estar acompanhando o processo. “Estou viajando muito, cuidando de negócios pelo interior de Goiás.” Segundo pessoas próximas, ele tem evitado criar expectativas e falar do tema inclusive com familiares.
Repercussão
Um dos poucos momentos descontraídos na residência da família Roriz nesse domingo foi quando tiveram acesso à matéria do jornal O Estado de S. Paulo. A reportagem fala sobre uma possível união entre Roriz, o ex-governador José Roberto Arruda e o senador cassado Luiz Estevão visando derrotar o grupo político que atualmente comanda o DF, liderado pelo governador, Agnelo Queiroz, e o vice, Tadeu Filippelli.
A reação da família Roriz teria sido de gargalhadas. Segundo interlocutores, Estevão considera Arruda como um inimigo político, com quem ele dificilmente se aliaria. A informação de que Arruda e Roriz teriam se reaproximado também não seria verdadeira. Se isso for verdade, Roriz terá que enfrentar a ira da mulher, que não admite a união do marido com Arruda.
A avaliação da família, passado o momento do ti-ti-ti, é de que a divulgação dessa matéria poucos dias antes do julgamento de Jaqueline seria mais uma tentativa de manipular a opinião pública contra a deputada e contra o clã Roriz

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