Salve Geral – Goiás na mira do PCC.

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“Carpa no braço de presidiário goiano representa grupo criminoso: “sem remorso e livre de culpas dos crimes realizados” FOTO: PM-GO”

Jairo Menezes – dm.com.br Os ataques constantes em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina tendem a acontecer também em Goiás. A chefia da Segurança Pública nega ter conhecimento da existência de membros da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, mas a reportagem do Diário da Manhã conseguiu, com exclusividade, provas que sustentam o contrário.

Ramificações do grupo criminoso agem de dentro e fora de presídios e recebem determinações dos “maiorais”, diretamente de São Paulo e outros grandes centros, onde a criminalidade está enfraquecida por conta de reforço da segurança local.

Um “Salve Geral” já foi dado. A gíria é interna e comumente usada em grupos criminosos como PCC, Comando Vermelho e outros, para descrever algum tipo de comunicado interno. Em Goiás, foram ordenados ataques a taxistas, policiais, ônibus e veículos particulares. Os ataques já foram iniciados. Na noite de ontem, um ex-policial militar foi morto na porta de um bar do Setor Nova Esperança, em Goiânia. Além disso, uma delegacia especializada foi alvo de disparos de tiros e houve a tentativa de atear fogo a um ônibus do transporte coletivo.
A Segurança Pública de Goiás está em estado de alerta, mas nega ter conhecimento da existência do “Salve Geral”. Mesmo assim, ontem pela manhã, policiais foram orientados a reforçar a segurança pessoal e de seus familiares. Essa foi a forma encontrada pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC) para evitar que militares se tornem alvos de ataques.
POLICIAL DA RESERVA É ASSASSINADO
O policial da reserva Antônio Manuel Camilo de Oliveira, tenente Camilo, foi assassinado na noite de quarta-feira, 21. O militar estava acompanhado de seu filho, de 21 anos, quando dois sujeitos abordaram todos que estavam em um recinto. O policial, mesmo alvejado, baleou e matou um dos meliantes, que estava com documentos falsos, mas foi identificado posteriormente como Reinaldo Cesar da Serra, de 29 anos.

Reinaldo era integrante do PCC e estava em companhia de um comparsa, que fugiu. Ele tinha passagens por roubo, furto, formação de quadrilha e outros, além de um mandado de prisão em aberto. Ele foi flagrado de rosto tapado em imagens de um supermercado do Setor Eliforte, na Região Sudoeste de Goiânia, no dia 1º de outubro deste ano. Ele portava um fuzil AK-47, de fabricação russa. Reinaldo e mais três suspeitos explodiram um caixa eletrônico e fugiram usando um Gol de cor cinza.
Reinaldo ainda integrava uma quadrilha considerada como ramificação do PCC, em Goiânia, em que cometia grandes roubos na Capital. A gerência dessa organização criminosa fica no Jardim Guanabara e é investigada por agentes da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Ainda ontem, segundo fontes do DM, um sujeito que se identificou como familiar de Reinaldo foi até o Instituto Médico Legal de Goiânia reconhecer o cadáver. Ele só não imaginava que dois agentes da Deic estivessem de tocaia,  aguardando quem fosse reconhecer o membro do PCC. O homem não foi identificado pelos policiais, para não atrapalhar as investigações. Ele estava com documentação falsa. Após descoberta sua verdadeira identidade, também se confirmou que ele participa da organização criminosa paulistana.
O policial assassinado foi velado e sepultado no Cemitério Jardim do Cerrado, em Goiânia, ainda ontem. “Acreditamos que existem várias hipóteses para esse crime. A Polícia Civil tem competência para descobrir o que realmente aconteceu. O militar teria se envolvido em uma discussão de trânsito antes de ser morto, mas não sabemos se existe ligação”, disse o comandante de Policiamento da Capital, coronel Márcio Queiroz.

POLÍCIA EM ALERTA

Os policiais militares receberam a determinação do coronel Queiroz para que reforçassem a segurança pessoal e de seus familiares. “É uma medida preventiva. Ainda não conseguimos confirmação de um ‘Salve Geral’, mas medidas preventivas já são tomadas para que militares não sejam presas desses atentados”, relata o militar, que toma diariamente cautela com a própria segurança. “Eu mesmo não entro em casa de costas virada para a rua e observo bem quem está na rua de casa. Se houver alguém, dou a volta no quarteirão”, revela Queiroz.

Os militares, que têm dito estar “desmoralizados pelo Estado e pela sociedade”, se protegem  como podem. Conforme o deputado estadual pelo PRB Major Araújo, existem constantes ameaças contra a tropa, que deve permanecer em alerta e pronta para agir e defender sua integridade física. “Essas várias ameaças não haviam se concretizado, mas após o ataque ao policial da reserva, por um integrante do PCC, e o atentado à delegacia, temos que rever, considerar o que acontece e buscar providências de segurança”, diz.
A delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, Adriana Accorsi, revela ter recebido uma mensagem de policiais mineiros orientando que uma mensagem foi interceptada de um presidiário de Uberlândia para Goiás. “Foi uma carta em que descrevia haver possíveis ataques a policiais de Goiás, com a existência de uma possível lista de assassináveis”, relata Accorsi, que, mesmo negando conhecimento da existência do ‘Salve  Geral’, ressalta que toda a Polícia Civil está em alerta máximo.
Queiroz acredita que o crime se interioriza e não descarta hipótese de que integrantes do PCC possam chegar até territórios goianos. “O crime se interioriza e isso não podemos negar. Se nos grandes centros houver uma maior intensificação de segurança, os bandidos buscam correr para o interior do Brasil. Se existirem ataques a Goiás, é isso que aconteceu.”
DEPAI SOFRE DOIS ATENTADOS EM UM MÊS
A Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), no Jardim Goiás, foi alvo de atentado na madrugada de ontem, por volta da 1h15. Três tiros foram efetuados em direção à especializada. De acordo com a delegada titular, Nadir Cordeiro, este é o segundo atentado este mês. Um sujeito foi visto efetuando os tiros. A delegada acredita que os tiros não têm associação com organizações criminosas, mas sim aos menores presos pela delegacia por prática de delitos diversos.

O primeiro atentado ocorreu no dia 16 de novembro. Segundo a delegada, existem adolescentes apreendidos na especializada que são considerados de alta periculosidade e a Justiça ainda não determinou se eles devem ou não ser internados.
Nadir teme que haja mais ataques pelo afrouxamento de leis. “Do jeito que está, logo perderemos o controle da situação. Os menores infratores estão perdendo o medo das punições, precisamos rever isso rapidamente. Hoje, você conversa com um menor infrator, ele sorri e leva tudo na brincadeira, eles estão perdendo o medo”.
A respeito do atentado ocorrido na madrugada do dia 22, a delegada acredita que menores envolvidos com os crimes de arrastões, uma nova modalidade de roubo que vem assolando a comunidade goianiense, possam estar envolvidos. “Como dois deles foram liberados na semana passada e outro ficou por aqui, por ser mais perigoso, acredito que seus comparsas estão querendo nos intimidar com este tipo de atentado. Só que isso não nos assusta. Vamos continuar nossos serviços”, diz.
A delegada disse que este tipo de atentado que a Depai vem sofrendo não intimidará o trabalho da polícia. “É bater em ferro frio. Não intimida e jamais vai conseguir nos conter. Estamos cada vez mais firmes nos nossos propósitos. E não arredaremos um centímetro sequer. Vamos enfrentá-los e continuar apontando qual o caminho a ser seguido por eles”.
Peritos da Polícia Técnico Científica estiveram no local na manhã de ontem fazendo o levantamento do atentado. Os três tiros efetuados acertaram o muro de entrada do local. Segundo um dos peritos, tudo leva a crer que a arma usada foi um revólver de calibre 38 ou 32. Perguntada se o atentado foi um recado pessoal à delegada, ela respondeu: “que venham outros recados. Tenho um compromisso com a Polícia Civil.  Visto a camisa há 39 anos, e não vou retroceder agora”, disse. 
ÔNIBUS E O FOGO
Ainda na madrugada de ontem um ataque a um ônibus, na Região Sul da Capital, não saiu como os bandidos queriam. O líquido inflamável foi despejado no veículo e, em seguida, um homem tentou atear fogo, mas foi impedido por passageiros de uma linha do transporte urbano que transitava no Setor Pedro Ludovico, conforme diz o comandante do Policiamento da Capital, coronel Márcio Queiroz. “Ainda bem que o impediram antes que ele concluísse o atentado. O sujeito não chegou a atear fogo no ônibus, mas tentou. Não sabemos se ele é doente mental ou se tem mesmo alguma ligação com alguma organização criminosa.” 

Queiroz afirma ter recebido pedido de entidades responsáveis pelo transporte coletivo para que fosse intensificada a segurança nos ônibus. “Esse trabalho passa a ser realizado ainda amanhã (hoje).” (Colaborou Maurício Reis)
INTEGRANTES DO PCC SÃO PRESOS EM GOIÁS
A capa do DM de hoje traz a imagem de tatuagem de Robson Mendonça da Cruz, 29 anos. O suspeito é membro do PCC e estampa tatuagem de uma carpa – símbolo do grupo criminoso, segundo o qual aquele que a possui não sente remorso ou se arrepende de seus atos. A carpa só é tatuada em alguns representantes de diferentes regiões, os quais  para ser inseridos no PCC tiveram uma espécie de “batismo”, o que aconteceu com Robson em São Paulo.

Ele havia sido preso quando invadiu, com um carro, o 1º DP de Goiânia. Sua última prisão foi em Guapó, quando dois suspeitos de integrar uma quadrilha de roubo a bancos, constituída por integrantes do PCC, foram mortos em confronto. A prisão e apreensão foi realizada pelo Comando de Missões Especiais (CME), diluído, à época, responsável pelas investigações de grupos criminosos atuantes em Goiás. Após o encerramento dos serviços, a responsabilidade de apurar esses crimes ficou a cargo da Polícia Civil (PC).
Outro preso pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar foi Antônio Donizete Alves dos Santos, 33 anos, em Caldas Novas, em abril. Segundo informaram os policiais à época, ele é um dos líderes do PCC em Goiás e estava em conexão com outros criminosos do grupo em todo o País. O suspeito vivia há um ano na cidade e portava documentos falsos enquanto gerenciava um restaurante na região do Setor São José.
Donizete tem mais de 200 passagens pela polícia e havia nove mandados de prisão contra ele, expedidos por juízes de várias regiões do País. 
NOVEMBRO
Wagner Andrade Figueiredo, 30 anos, foi preso em flagrante após agredir a mãe, de 68 anos. Além de bater na idosa, o suspeito também tentou agredir o irmão mais velho e destruiu a casa da família no Setor Santa Tereza, em Goiânia. Ele estava sob efeito de crack e álcool, conforme disseram policiais no dia de sua prisão, pela Delegacia de Apoio à Mulher (Deam).
Wagner tinha mandado de prisão em aberto, expedido pela Justiça paulistana. Ele teria praticado o crime de roubo. A família confirmou que o suspeito tem envolvimento com outros crimes em São Paulo e já integrou  o PCC. Fugitivo do sistema penitenciário paulista, aproveitou o indulto do Dia dos Pais, em 2011, para se livrar das grades. A mãe do suspeito confirmou que o trouxe para Goiás, pois o filho sofria riscos em São Paulo.

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