Secretário quer intensificar programas de capacitação profissional no DF.

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Embora não tenha definido metas de criação de postos de serviço, ele espera que o índice de desemprego no DF caia e se aproxime da taxa nacional


Ariadne Sakkis do correio Braziliense.


Agência do Trabalhador fechada no início do ano: a exoneração de comissionados afetou o atendimento, mas o secretário apoia a medida e defende a valorização dos servidores do quadro (Mara Puljiz/CB/D.A Press - 5/1/11
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Agência do Trabalhador fechada no início do ano: a exoneração de comissionados afetou o atendimento, mas o secretário apoia a medida e defende a valorização dos servidores do quadro

Ao assumir a Secretaria de Trabalho do Distrito Federal (Setrab), o publicitário e cientista político Glauco Rojas, 33 anos, terá a tarefa de tirar a pasta da inércia. Rojas aponta como principais desafios a retomada e a intensificação de programas de capacitação profissional, o aumento da qualidade dos serviços prestados e a própria revitalização do órgão.


Antes de anunciar qualquer projeto, o novo chefe quer organizar a casa. Assim como as outras pastas, a Setrab foi atingida pelo corte dos 18 mil cargos comissionados do GDF. A exoneração em cassa — determinada por decreto do governador Agnelo Queiroz — causou transtornos no atendimento das agências do trabalhador no início do mês, já que 284 funcionários não faziam parte do quadro de concursados. O secretário, no entanto, defende a medida. “Ao exonerar, de uma só vez, todos os comissionados, você tem a possibilidade de repensar a máquina, ainda que, em um primeiro momento, isso cause desconforto à população, como causou”, afirmou. A prioridade será a valorização do servidor público, que, segundo Rojas, estava “alijado da tomada de decisões na secretaria.”


A promessa do novo secretário é devolver à secretaria a estrutura que se perdeu ao longo dos anos. “As políticas públicas estão bastante comprometidas. Acredito que é resultado do acúmulo de gestões que, ao longo do tempo, não conseguiram entender o papel dessa secretaria no desenvolvimento do DF”, avalia. Rojas promete fazer com que a pasta volte a cumprir sua missão, que é a de capacitar mão de obra e ofertar crédito ao trabalhador.


Como o setor de serviços é um dos que mais demandam pessoal, o secretário tem em mente a criação de um padrão brasiliense de qualidade. “Precisamos provocar uma mudança cultural que eleve o padrão da prestação de serviços. Quem tem oportunidade de viajar e ir a outros estados onde é bem atendido pensa: ‘Por que em Brasília não é assim? Eu pago caro e tenho a sensação de estar pedindo favor’”, diz Rojas.


A expectativa é que as relações entre a Setrab e o Ministério do Trabalho sejam mais próximas. Rojas puxou para as subsecretarias de Capacitação e de Microcrédito especialistas técnicos que trabalhavam no ministério. “Eles só aceitaram vir para cá pelo desafio de restaurar a estrutura da secretaria. Precisamos fazer com que ela volte a funcionar”, afirma. Antes de assumir a secretaria, Rojas conseguiu no Ministério do Trabalho a liberação de R$ 5,3 milhões para serem usados em capacitação de profissionais. Com esses recursos, Rojas pretende implementar no DF o programa Projovem.


Alta rotatividade
Pela análise do secretário, a falta de mão de obra qualificada representa um dos gargalos dos índices de desemprego do DF. “Por falta de profissionais adequados, há uma alta rotatividade, principalmente no setor de serviços. Imagine se todos os empresários, grandes ou pequenos, tiverem de investir para qualificar o funcionário para, só então, contratá-lo? É um baque na economia. Nessa intermediação é onde cabe o Estado. Se o Estado não cumpre essa função, isso reverbera nos índices de desemprego”, afirma Rojas.


Segundo Pesquisa de Emprego e Desemprego no DF (PED-DF), realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sob encomenda da Secretaria de Trabalho, em novembro de 2010 o contingente local de desocupados ficou em 13,2% contra 15,3% em igual período de 2009. Apesar de ser a menor taxa de desemprego anual da série histórica da PED, realizada desde 1992, a média do DF ainda é superior — quase o dobro — à nacional, que fechou 2010 com menos de 7% de desempregados.

 (Monique Renne/CB/D.A Press)

A pesada carga tributária e a falta de mão de obra capaciatda são alguns dos entraves para a instalação — e a permanência — das empresas no DF. Rojas ainda não tem metas para a abertura de novos postos de trabalho, mas reconhece que será preciso um esforço conjunto entre vários órgãos do GDF para atrair empresas e indústrias. “É uma questão que passa pela nossa pasta e vamos mover mundos para que o DF seja mais atraente ao setor produtivo. É essencial para a abertura de novos postos de emprego, mas precisamos oferecer condições e profissionais adequados.”


A Setrab também está de olho na preparação do setor de serviços para a recepção da Copa do Mundo, em 2014, quando Brasília receberá turistas do Brasil e do mundo. Ao contrário de outras cidades-sedes, como Rio de Janeiro e São Paulo, Brasília nunca abrigou um evento de tamanha proporção, mas Rojas encara o desafio como uma oportunidade. “Vamos fazer de tudo para que as pessoas que trabalharão na Copa do Mundo sejam do DF. Esperamos ter capilaridade na estrutura de governo para absorver e qualificar com qualidade pessoas daqui.”

Formação

O ProJovem Urbano é um programa subsidiado pelo governo federal que tem como finalidade proporcionar formação integral aos jovens entre 18 e 29 anos que, apesar de alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental. A reinserção na escola e no mundo do trabalho se dá por meio de formação básica, para elevação da escolaridade, tendo em vista a conclusão do ensino fundamental, qualificação profissional, com certificação de formação inicial e promoção de atuação social na comunidade.


13,2 % – Índice de desemprego no Distrito Federal referente a novembro de 2010. O percentual de desocupados no Brasil foi menor de 7%.



“Precisamos provocar uma mudança cultural que eleve o padrão da prestação de serviços. Quem tem oportunidade de viajar e ir a outros estados onde é bem atendido pensa: ‘Por que em Brasília não é assim?’”
Glauco Rojas, secretário de Trabalho do DF

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