Seita com 6 mil adeptos cai na mira da PF.

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Uma seita que arrebanha integrantes na capital paulista para trabalhar sem salário em fazendas e indústrias no interior de Minas Gerais já reúne cerca de 6 mil pessoas. Para ser aceito no “mundo paralelo” do grupo Jesus A Verdade que Marca, é preciso, segundo a polícia e ex-integrantes, doar casa, carros os demais bens para os líderes e obedecê-los cegamente.

As regras incluem a proibição do marido dormir com a mulher, o confinamento em fazendas e alojamentos e o veto a TV e internet. Durante a Operação Canaã, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira, dois líderes da seita – cujos nomes não foram revelados – acabaram presos por apropriação indébita ao serem flagrados com cartões do Bolsa-Família de integrantes do grupo. Para a PF, o discurso religioso ê um atrativo para cooptar mão de obra escrava. “É um grupo extremamente fechado, que busca pessoas em situação vulnerável e as mantém nas propriedades com uma alta carga de doutrinação”, diz o delegado João Carlos Girotto. O advogado do grupo, Leonardo Carvalho de Campos, argumenta que as fazendas nas cidades de Minduri, São Vicente de Minas, Madre de Deus e Andrelândia a são apenas associações de agricultura comunitária (veja ao lado). Depoimentos de ex-integrantes destoam do que ele diz. Um aposentado de 72 anos conta que o pastor Cícero Vicente de Araújo, líder da seita, o convenceu a doar tudo o que tinha porque “todas as estradas iam se fechar e colocariam chips na cabeça das pessoas”. “O pastor disse que só quem fosse para aquela região de Minas conseguiria viver bem.” Há três anos, o homem tenta reaver na Justiça os R$ 32 mil de um carro e parte do dinheiro de uma casa que vendeu para aderir à seita. Para manter os fiéis, o ex-adepto conta que os pastores afirmavam que as pessoas que saíssem seriam amaldiçoadas. “Eles diziam que os demônios destruiriam aqueles que saíssem e passavam uns filmes da inquisição.” Carne Apesar de todos se tratarem por irmã ou irmão, os ex-membros relatam disparidade de tratamento. “Eu passava as noites limpando tripa, cabeça e pé de boi para comermos. A carne ia para os líderes”, contou uma ex-adepta da seita, de 42 anos, que vendeu a casa e doou para o grupo. A vigilância é outra característica, diz ela. “Minhas duas filhas, de 20 e 22 anos, ficaram lá e há dois anos não as vejo.” Um médico do Programa de Saúde da Família conta que os integrantes não ficam desacompanhados nem durante as consultas. A PF não localizou o pastor Araújo. A suspeita é de que ele esteja articulando a expansão da seita para a cidade de Ibotirama (BA). Publicamente, o grupo tenta se desvincular do caráter religioso e formou seis associações de agricultores. A polícia crê que as entidades, com fazendas arrendadas, sirvam como fachada para um esquema de lavagem de dinheiro, supressão de direitos trabalhistas e formação de quadrilha. Uma lista com nome dos eleitores fará a investigação verificar a possibilidade de manejo político. Dois vereadores da região são identificados com a seita. Ex-fiéis afirmam que Araújo os arrebanhou em igrejas na Lapa, zona oeste da capital, e Osasco. Os templos mudam constantemente de endereço. A PF averigua a existência de um novo na região da Sé. Doutrinação “As pessoas se desfazem dos bens, são levadas a um local isolado, separadas dos parceiros e filhos e passam a se deslocar só com acompanhamento. Lá dentro, os líderes incutem nelas a ideia do fim do mundo, é feita forte carga de doutrinação» Investigamos a possibilidade de que isso sirva para usar a mão de obra escrava.” João Carlos Girotto.

Informações do Ministério do Planejamento / Charge: Web

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