Sem líderes, bandeiras e rótulos assim seguem as manifestações pelo DF.

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Os protestos que invadem as ruas do País representam não apenas o desejo por mudanças, mas uma crise de representatividade que toma conta da população. Os manifestantes, que antes tinham ligações partidárias, hoje agem por conta própria em prol do interesse comum. Essa nova forma de protestar pode estar intimamente atrelada à perda de credibilidade da classe política perante a sociedade. Contudo, a falta de lideranças não está relacionada à desorganização. Pelo contrário, as manifestações, marcadas pelas redes sociais, acontecem nos horários agendados e têm até   um manual de conduta.

Quando o assunto é a falta de credibilidade política, especialistas garantem que talvez esse seja o momento de repensar a sua estrutura de forma ampla e profunda. É o que afirma o sociólogo e militante André Fortunato. “É essencial que a forma de se fazer política passe por transformações drásticas e irreversíveis”, destaca.
De acordo com ele, é essencial que exista mais democracia no âmbito político. “Deve existir um mecanismo mais democrático, no qual a população tenha uma voz mais ativa, do que o representativo atual. Além disso, essa política deve atender a todos e não somente a uma minoria”, afirmou o sociólogo.
UNE
Uma das mais populares entidades do Brasil, a União Nacional dos Estudantes (UNE)  sempre esteve envolvida em protestos. Com uma ligação clara com o Governo Federal, a UNE vem tendo uma atuação menos participativa. Contudo, de acordo com o ex-presidente Jonatas  Moreth, 25 anos, a   tímida participação pode ser explicada. “As manifestações contam com várias representações e não com um líder único. Eles mesmos falam por si. Respeitamos essa posição, mas não abrimos mão de participar com bandeiras organizando os estudantes”, declarou.
 Jonatas, que deixou o cargo devido às atuais eleições para essa posição, destaca que muitos participantes da entidade estão nos protestos. E ressalta: “É algo muito novo que tomou uma proporção imensa”.
Internet: palanque democrático
A rapidez das informações e a democratização sempre foram   características das redes sociais. Talvez por isso elas estejam sendo significativas na construção da nova realidade política do País. É o que explica Gilberto Lacerda, especialista em novas tecnologias na educação. “A internet é um palanque. Um espaço livre que dá poder ao cidadão comum. Ela representa um espaço de circulação de ideias”, defende.
Aliada a essa característica do universo virtual está a indignação da população. “Esse fator se soma a outra variável latente que é o inconformismo. Esses ingredientes   geram uma bomba. Seja com liderança ou sem, elas se integram de forma enfática”, explica o especialista em novas tecnologias.
Ele destaca que o pouco tempo de existência da internet dificulta um entendimento mais exato de sua complexidade. “Ela é um fenômeno muito novo. Estamos tendo sinais claros que podem responder algumas questões de forma significativa”, declarou. 
De acordo com o especialista, os jovens são os mais influenciados por esse universo. “A internet atrai muito os jovens. Eles são muito suscetíveis ao que é colocado ali”, ressalta.



Por Patrícia Fernandes / Jornal de Brasília

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