Servidores mantêm paralisação e desafiam o governo, Justiça e a população

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Jornal de Brasília – Apesar de a Justiça considerar
ilegal e abusiva a greve dos servidores da Saúde e dos agentes penitenciários e
  socioeducativos,  as   categorias permanecem sem prestar
atendimento à população. Os trabalhadores estão de braços cruzados desde a
última quinta-feira para reivindicar o reajuste salarial acertado ainda em
2013.  Tão logo o governador Rodrigo Rollemberg anunciou que cortaria o ponto dos grevistas, recuou da decisão. 

Com a greve, a
população é a principal prejudicada. Nos hospitais, apenas as emergências estão
funcionando, e com escalas de plantão. Em algumas unidades, apenas casos
gravíssimos são atendidos. Ontem, no Hospital Regional de Ceilândia (HRC),
  pacientes foram orientados a voltar para casa, pois não há médicos. A
situação tem causado desespero e revolta a quem vai ao local.

“Minha esposa está
com sintomas de taquicardia, passando muito mal, e eles já disseram que não tem
médico para atender. É um absurdo o que está acontecendo no DF. Estou
indignado, porque o governo aumenta impostos, não paga o reajuste dos servidores,
e nós é que sofremos as consequências. Chega a ser vergonhoso”, afirmou,
indignado, o vigilante Francisco de Paula, 39 anos.

“Um absurdo”
Iris José da Silva,
 54 anos, também vigilante, é hipertenso e foi ao HRC em busca de  
atendimento, pois, mesmo tomando a medicação indicada, não se sentia bem.
“Minha pressão está 17 por 11 e já me disseram que não tem ninguém que possa me
atender. Estou até com medo de voltar para casa, porque posso passar mal no
carro e sofrer um acidente. É um absurdo não ter um médico na emergência de um
hospital tão grande como o de Ceilândia”, lamentou.

Demora
No Hospital Regional
de Taguatinga (HRT), apesar da demora, havia atendimento em algumas
especialidades. A salgadeira Rosana Nunes,   29 anos, está grávida de nove
meses e contou que esperou cerca de cinco horas para ser atendida. 

“Estão demorando
muito para atender na sala de medicação. São pouquíssimos enfermeiros para a
quantidade de pacientes. Essa greve está me preocupando, pois estou perto de
ganhar neném”, afirmou. 

Quem buscava por
atendimento na ortopedia sentia ainda mais as consequências da greve dos
servidores. Rafael Rodrigues, 27 anos, jauzeiro, sofreu um acidente no último
sábado, fraturou a clavícula e, naquele dia, foi dispensado pelo médico que o
atendeu.

“Ele me mandou
  voltar   depois do feriado, mesmo eu estando com a clavícula
quebrada e com  a possível necessidade de fazer uma cirurgia. Hoje
(ontem), cheguei com o exame de raio-X e o ortopedista nem olhou. Disse que só
atenderá casos de fraturas expostas. Vou ter que ficar sentindo dor até o
atendimento ser normalizado”, relatou. 
O rapaz considera a
situação absurda, tendo em vista a quantidade de impostos paga pela população.

Agentes
penitenciários e socioeducativos
Os agentes de
atividades penitenciárias  fizeram assembleia na manhã de ontem e
decidiram começar uma nova greve. 

Na última
sexta-feira, a Justiça considerou a paralisação desses servidores  
ilegal, e, em seguida,  o Sindicato dos Agentes de Atividades
Penitenciárias do Distrito Federal (Sindpen-DF) solicitou que a categoria
retornasse aos postos. Mas, agora, eles voltam a deixar de trabalhar. 

om a decisão, ficam
suspensos visitas a presos e o acesso de advogados, oficiais de Justiça e
escoltas judiciais nos presídios. Por conta disso, ontem, cerca de 50 mulheres
de detentos fizeram um protesto em frente ao Palácio do Buriti. 

Durante o movimento,
os servidores mantêm a segurança das unidades, a distribuição de alimentos e o
banho de sol.

Representando outra
categoria, o Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa  
(Sindsse-DF) informou que não foi notificado da ilegalidade da greve e o
movimento grevista continua.  Caso haja notificação, será convocada uma
assembleia para definir o  rumo   do movimento.

Corte de ponto
não intimida
O Sindicato dos
Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate-DF) disse que não recebeu
notificação sobre ilegalidade da greve e que o movimento vai continuar. “Nossa
greve não é ilegal. Ilegal é a posição do governador, que faz ameaça de corte de
ponto e judicializações”, afirmou Josy Jacob, diretora do Sindate-DF.

Descaso nos
atendimentos
A vendedora Fabiana Silva, 31
anos, estava com o braço imobilizado e aguardava ser atendida pelo ortopedista
no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Assim que quebrou o membro, ela ligou
para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi informada de que
não havia viaturas disponíveis. 

“Ainda foram grossos
comigo, disseram que eu tinha quebrado o braço e não as pernas, que eu me
virasse. Então, como estava doendo muito, fui ao Corpo de Bombeiros e pedi que
me ajudassem. Lá, eles colocaram essa tala, mas disseram que era para eu
devolver o material assim que saísse do hospital com o gesso”, contou. Em nota,
a Secretaria de Saúde informou que a emergência do HRT funcionava normalmente e
que, no Hospital Regional de Ceilândia, estavam escalados dois ortopedistas, um
clínico e três ginecologistas.

Apesar da
judicialização da greve e da ameaça de corte de ponto, os servidores da Saúde
se reuniram ontem e decidiram continuar de braços cruzados. Segundo Marli
Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de
Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde-DF), o sindicato não foi notificado, e
a greve continuará por tempo indeterminado.

“Vamos manter a
greve. Sabemos que nosso serviço é essencial, mas os salários também são.
Queremos o cumprimento da lei, pois o reajuste dos servidores é uma despesa
continuada e não nova. Além disso, o governo não pode cortar o ponto como se
fosse um ditador”, afirmou. Segundo Marli, quanto mais o governo ameaçar a
categoria, mais o movimento será radicalizado. “Não vamos aceitar ameaças, e
essa provocação do governo vai ter um resultado negativo”, avisou. Caso seja
notificado pela ilegalidade da greve, o Sindisaúde-DF vai recorrer na Justiça.

Na Hora e
parques fechados
O Sindicato
 dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias,
Fundações e Tribunal de Contas do DF ( Sindireta-DF) representa os servidores
do Na Hora, que, ontem, suspenderam os atendimentos na Rodoviária do Plano
Piloto.  “As ameaças do governador em cortar o ponto só aumenta a raiva
dos servidores. Caso a Justiça determine a greve ilegal, vamos recorrer”, disse
o presidente  da entidade, Ibrahin Yusef.

Os frequentadores
dos parques do DF também tiveram uma surpresa desagradável. Todos eles, exceto
o Parque de Águas Claras, encontram-se fechados devido à greve dos servidores
do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). No Parque Olhos D’Água, na Asa Norte,
os portões estavam trancados e com cartazes da paralisação.

“É um local público,
que deve estar aberto à população. Infelizmente, está fechado desde
sexta-feira, e sou obrigado a fazer a minha caminhada na parte de fora. Com
essa greve, a população está sendo penalizada”, afirmou o aposentado Ronaldo
Maia, 70 anos. O comerciante Márcio Bittar, 52, frequenta o local com a filha e
achou um absurdo o local estar fechado.  Para ele, não deveria haver
estabilidade no serviço público, pois os servidores param quando querem, e a
população é quem sofre as consequências.

Segundo o presidente
do Sindireta, Ibrahin Yusef, a greve é por tempo indeterminado. “Queremos que o
governo cumpra a lei e pague o nosso reajuste. Se não houver proposta, vamos
fechar, na quinta-feira, o Parque de Águas Claras”. 

Saiba mais
Os servidores do
Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF) e  da Secretaria de
Agricultura também continuam de braços cruzados. 

Segundo André Luiz
da Conceição, presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados da
Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades
de Economia Mista do Distrito Federal (Sindser-DF), a greve vai continuar, e o
movimento não foi considerado ilegal pela Justiça, tendo em vista que 30% do
efetivo está atuando. 

Segundo Conceição,
os servidores não têm medo de corte de ponto e não vão aceitar a perda
salarial, com a falta de reajuste.

Jurana Lopes / Jornal de Brasília

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