Tráfico concentra assassinatos. Medo cala moradores em Ceilândia

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Prisão de acusados de tráfico em Ceilândia: relação direta com homicídios.

Um
estudo sobre os benefícios de informações georreferenciadas na
investigação policial, que acaba de ser lançado, dois policiais da
área de tecnologia da informação da Polícia Civil usaram
programas de computador para georreferenciar os crimes tráfico e de
homicídios em Ceilândia, cidade mais populosa do Distrito Federal.
Reginaldo Pereira dos Santos Filho e José Wellington Cunha da Silva
analisaram os boletins de ocorrência feitos nas delegacias da cidade
entre os anos de 2010 e 2011. 
Consideraram
o sexo, a idade e a escolaridade dos envolvidos. Por meio do Sistema
de Informação Geográfica, associado ao Sistema de Posição Global
(GPS), descobriram que os locais de registro de tráfico coincidiam
com as áreas com mais homicídios. Também apontaram que a maioria
dos envolvidos tem baixa escolaridade e, muitos, menos de 18 anos. 
O
estudo é fruto de uma dissertação de mestrado defendida na
Universidade Católica em 2012 e mostra a importância do uso de
tecnologias da informação para o gestor público. “Em alguns
casos, fica evidente que não se trata só de um problema de polícia,
mas de uma situação que necessita de intervenção de diferentes
áreas do governo. Às vezes, melhorar a iluminação pública e
limpar terrenos baldios ajuda na segurança de uma lugar”, explica
Reginaldo. 

Alguns
dos programas de computador usados por Reginaldo e José Wellington
para desenvolver o estudo foram desenvolvidos e patenteados por
policiais civis do DF e estão à disposição do Estado. Em alguns
casos, como na confecção da análise de vínculos, esses
instrumentos já são usados e municiam os investigadores com uma
vasta informação das relações entre criminosos, permitindo
identificar as tarefas de cada integrante da organização. 
Para
Reginaldo, o compartilhamento da base de dados e a manipulação
correta das informações permitem ao Estado olhar a atividade
criminosa de outro ângulo. “É como se você estivesse do alto da
arquibancada de um estádio de futebol. Você tem visão clara do que
está acontecendo na região”, compara. Segundo Reginaldo Pereira,
hoje, o governo tem estrutura para fazer o georreferenciamento de
todos os tipos de crimes, em qualquer período.
Educação
integral

Alunos
do Centro de Ensino Fundamental 35 (CEF 35) de Ceilândia trabalham
para escrever uma história diferente. A instituição fica na área
mapeada pelos policiais e, recentemente, deu início ao atendimento
em período integral aos alunos. O processo está apenas no
começo.Além da monitoria, a instituição desenvolve atividades
extracurriculares para criar um ambiente de paz. 
Um
dos projetos é o Vozes da Paz. Alunos, professores, pais e
funcionários da escola discutem sobre a violência e traçam
estratégias de como ter um ambiente mais saudável. Palestrantes
apresentaram as drogas para os estudantes e explicaram os efeitos e
os danos de cada uma delas. “Desde que iniciamos os trabalhos, há
três anos, houve uma redução drástica da violência”, diz a
supervisora pedagógica da instituição, Valéria Sá. 
Os
estudantes deixam claro que, estar na escola o dia todo, tem sido uma
conquista. “É bem legal. Muito melhor do que ficar na rua
aprendendo bobagem e ocupando a cabeça com coisa errada”, afirma
Cleidemara Borges, 13 anos, aluna do 6º ano. 
Em
alguns casos, fica evidente que não se trata só de um problema de
polícia, 
mas
de uma situação que necessita de intervenção de diferentes áreas
do governo”

Medo
cala moradores

Falar
sobre a convivência diária com bandidos é difícil para moradores
das regiões onde o crime encontrou espaço para proliferar. Alguns
dizem não saber de nada. Outros preferem falar sobre o que falta na
cidade. “O governo precisa fazer mais vilas olímpicas e investir
pesado no esporte. No P Norte, a vila olímpica tirou crianças e
adolescentes das ruas. Virou outro lugar”, afirma uma servidora
pública, sem se identificar. 
Com a
experiência de quem viu meninos e meninas nascerem e se perderem no
vício, a comerciante Geilza Alves, 50 anos, acredita que o caminho
para o tráfico é pavimento por uma conjunção de fatores. O
principal deles é a desestruturação familiar. “Se fizer uma
pesquisa, vai ver que os pais desses meninos são viciados na bebida,
e as mães precisam trabalhar o dia todo para ajudar a pagar as
contas. Com isso, ficam jogados na rua, sem fazer nada o dia todo.
Alguns se revoltam com o ambiente ruim em casa e acabam encontrando
nas drogas o dinheiro fácil para ter alguma coisa.” Segundo os
moradores, “nos últimos tempos”, as mortes deram uma trégua.
Mas o uso e o tráfico continuam intensos.
A
sensação dos moradores em relação a queda nas mortes se confirma
pelas estatísticas. No primeiro trimestre deste ano, os homicídios
caíram 35% de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Já os
registros de tráfico cresceram 108% no mesmo período. Uma das
explicações pode ser o fato de que, no começo de 2014, a PM estava
com a operação tartaruga e, com isso, patrulhou menos e fez menos
abordagens.

Por
Adriana Bernardes, Correio Braziliense, foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A
Press 

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