Troca de farpas no PDT.

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A relação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) com o Governo do Distrito Federal criou uma briga sem precedentes dentro da legenda. Enquanto o distrital Israel Batista mantém o apoio a Agnelo, o senador Cristovam Buarque se retira definitivamente. O deputado Federal José Antônio Reguffe tenta acalmar os ânimos. Representantes de Zonais do DF ficam com Agnelo.
Presidentes de zonais do Distrito Federal lançaram um manifesto pela sensibilização da Executiva Provisória do PDT. O documento, que ainda não foi protocolado, declara que a decisão do partido de retirar o apoio ao GDF foi precipitada e pede que a Executiva ouça os movimentos partidários organizados.
Edson Pessoa, presidente do Fórum de Zonais e da 5ª Zonal de Sobradinho, disse que a crise se instalou porque Cristovam Buarque não teria sido atendido de imediato pelo governador. Ao ser perguntado pela reportagem se referia-se às mudanças na secretaria de Educação, ele disse que sim.
Já Cristovam negou que suas divergências com o governador Agnelo sejam por causa de cargos. “Eu tenho obrigação de influir na Educação do DF, independente de cargos. Eu nunca indiquei pessoas para o GDF. Eu apenas sugeri uma lista, com vários nomes. Sugestão é diferente de indicação”, ponderou.
De acordo com o senador, a luta por cargos no governo do DF é do distrital Professor Israel. “O Israel quer ficar no governo por causa de cargos”, provocou. Buarque reiterou que não indicou um nome sequer e que não tem interesse de disputar cargos. “Deixa o Israel mandar no governo sozinho”, alfinetou.
O distrital Israel Batista preferiu não entrar na polêmica e explicou que o PDT passa por um momento de profunda reflexão. “Antes do pronunciamento do Diretório Regional é natural que todos os órgãos partidários apresentem suas impressões sobre o tema, isso faz parte do processo. Nossa preocupação é com o destino de Brasília”, disse. O deputado declarou ainda que o momento do PDT é de reconstrução. E afagou Cristovam Buarque. “O partido vê no senador Cristovam um exemplo de atuação política, honradez e espírito público”, finalizou.

Bombeiro – O deputado Reguffe atua nos bastidores como um bombeiro. “Eu torço para que o governo Agnelo dê certo, é importante para a cidade”. De acordo com Reguffe, sua posição é clara, de elogiar o que está certo e criticar o que está errado. No que se refere aos tais cargos, centro da disputa no PDT, contudo, o deputado defende que seu partido seja independente, sem cargos no atual governo.

Quem pode levar a melhor?

Lívio di Araújo

Na briga interna do PDT, o distrital Israel Batista pode levar a melhor. Nem tanto porque a legenda deverá escolher, por livre e espontânea vontade, permanecer na base do Governo Agnelo. Mas porque a situação política do partido não é nada confortável e o afastamento do PT neste momento seria prejudicial a grandes caciques pedetistas.
Em off, muitos nomes do PDT admitem que o partido não é atendido pelo governador e que apenas Israel é detentor dos afagos de Agnelo. “Ele é quem consegue emplacar quem ele quer no governo”, diz um pedetista. “Mas, mesmo assim, não sei se é hora de deixar a base, até porque estamos muito vulneráveis com as denúncias que pesam contra Lupi (ministro do Trabalho de Dilma)”, completa.
A assessoria do deputado distrital negou que ele tenha muitos cargos no governo como se especula, mas sabe-se que Israel é padrinho político do secretário do Trabalho, Glauco Rojas, e do administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann. Além disso, teve influência direta nas nomeações de outros sete nomes importantes do partido que integram o governo, como Peniel Pacheco, que está na diretoria da CEB.
Nos bastidores, Israel – apoiado pelas zonais do partido no DF –, tentam manter o PDT na base do governo. Sem reunião ainda marcada pela Executiva Nacional que deverá decidir os rumos da legenda, os pedetistas já foram acionados – alguns negam que tenham sido por Israel, outros contam em off que sim – para se manifestarem contrários à saída do partido do governo.
Caso o poder político do deputado distrital se confirme, o PDT pode resolver “ficar” e causar desgastes ao senador Cristovam. Embora ambos neguem divergências pessoais, interlocutores metralham: “Já acabou o tempo e o espaço do senador no partido”, afirma um pedetista. 


Cinco perguntas para Cristovam Buarque

Como está a sua relação com o GDF?

São oito meses sem a atenção do governador. Meu afastamento é necessário. Espero que o governador cumpra o que foi prometido em campanha. Nós prometemos ao povo de Brasília um caminho novo. Eu tenho obrigação de cobrar, por exemplo, as quatro cidades que ele prometeu que teriam horário integral. Não preciso de secretaria para isso.

E quanto aos cargos?

Eu não indiquei ninguém, não me apego a indicar nomes para cargos no governo. Daqui para frente, mesmo que o governador adote as minhas políticas, não quero ter ninguém no GDF indicado por mim.

Por quê?

Porque não quero ninguém indicado por mim fazendo besteiras, não quero me comprometer. Essas coisas podem acontecer, em qualquer governo.

Quais são os problemas que o senhor vê no governo do Distrito Federal?

Eu acredito que Agnelo tenha que lutar pela Poupança Escola, que foi um projeto que apresentei no Senado. Tem que lutar pela erradicação do analfabetismo. O governador só pensa no estádio da Copa. Quer ficar conhecido como o governador do estádio da Copa.

O senhor pensa em deixar o PDT?

Não. Deixar um partido é muito traumático. Mas eu tenho o direito de, um dia, voltar para casa.

Por Lívio di Araújo/ Jornal Alô.

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