UnB e MinC lançam o “Darcy de Bolso”.

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A Universidade de Brasília, a Fundação Darcy Ribeiro e o Ministério da Cultura lançam nesta quinta-feira a coleção de livros de autoria do escritor, antropólogo e fundador da UnB, Darcy Ribeiro (veja aqui). O evento será realizado no Beijódromo, às 17h30, e contará com a presença do jornalista e escritor Eric Nepomuceno, responsável pela seleção e organização dos textos. No artigo abaixo, o professor Nielsen de Paula, da Ciência Política, escreve sobre como a ideia revolucionária de Darcy Ribeiro para o ensino superior brasileiro foi aplicada na UnB. 
A comunidade universitária se prepara para as discussões do Congresso Estatuinte. É o momento de recordarmos os princípios que orientaram a fundação da UnB. Quando o professor Cristovam Buarque assumiu a Reitoria, Darcy Ribeiro disse que a Universidade de Brasília foi criada para discutir as causas do atraso da sociedade brasileira e que a fidelidade desta instituição, de seus professores e pesquisadores é com a liberação da condição de subdesenvolvimento do povo brasileiro.
A UnB nasce para ser critica. Contrapõe-se a ser uma universidade alienada. Caracteriza-se como uma universidade necessária porque tem uma utopia, porque busca um objetivo para o futuro. Pretende usar do conhecimento e do saber aqui produzidos para propor alternativas às práticas políticas e sociais existentes. A UnB deve ser repensada tendo uma preocupação com o Brasil e perguntando-se sempre: como superar seu estagio de dependência? O Brasil é o problema a ser estudado. O povo brasileiro é o principal ator e promotor de seu desenvolvimento.
“A UnB é a carne do espírito brasileiro”, disse Darcy. Nossa universidade e seu criador são frutos de uma época. Na década de 1960, explicitou-se uma visão de futuro forjada ao longo de séculos de depuração de idéias e ações conflitantes. Em nossa sociedade manifestou-se a necessidade de uma revolução. Um processo que nos levasse a liberar-nos das amarras do subdesenvolvimento servil. A revolução brasileira seria a síntese das contribuições de movimentos sociais de inspiração anarquistas e socialistas do operariado paulista, de instituições e pessoas com orientações filosóficas positivista, nacionalista, comunista, católicas, entre outras. 
O cenário internacional de rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética, emergentes depois da Segunda Guerra Mundial e o processo interno brasileiro de modernização de sua sociedade – através de um ação intensiva de urbanização e industrialização – contribuem para a eclosão de uma consciência nacional que clama por mudanças estruturais radicais. Darcy e a UnB são a expressão deste momento histórico de síntese. Então, ser brasileiro era contribuir para a construção de uma nova civilização onde as pessoas pudessem se realizar plenamente.
A idéia de desenvolvimento produzida pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) materializa estas aspirações. Desenvolvimento é a utopia do Brasil! A utopia de  Darcy é a Universidade necessária, crítica, a UnB que estuda o Brasil como problema (sua formação social com estruturas desiguais, desequilibradas e injustas), propondo soluções e políticas – o povo brasileiro como ator principal na execução deste projeto liberador.
A UnB é idealizada com um instrumento deste processo revolucionário, usando de seu conhecimento e saberes, com uma visão de totalidade (multidisciplinar) com liberdade para pensar, pesquisar e ensinar. Este é o desafio da nação brasileira: superar seu atraso em todas as áreas, econômica, técno-cientifica, sócio-política e cultural. A UnB deve perguntar-se porque o Brasil ainda não deu certo. Por que não temos resolvida a questão dos Direitos Humanos:  alimentação, saúde, habitação, trabalho, educação, segurança… Por que ainda há tanta exclusão social?
A Universidade necessária necessita ter a utopia que ordene e concatene suas ações, proponha soluções e que tenha um plano de si mesma. Universidade de Brasília para quê? UnB para quem? O Brasil, dizia Darcy, não precisa de mais uma universidade conivente com o atraso e a dependência. A UnB existe para ajudar a construir um país habitável! Para contribuir na constituição de uma sociedade mais solidária, mais livre, mais humana, mais democrática, mais justa e mais rica!
 
O processo da Estatuinte apresenta a oportunidade de rediscutirmos nossos estatutos e repensarmos quais as funções e deveres da UnB para com o povo brasileiro, que a mantém. A UnB é a casa da consciência crítica que o Brasil precisa. Temos que recuperar o papel da UnB. O o que devemos à cidade e aos órgãos públicos, o que devemos ao país, o que devemos à região latino-americana. A UnB tem que pensar com autonomia e não depender da forma de pensar e agir das autoridades públicas. Deve manter sua independência frente aos poderes constituídos. A UnB é um centro de saberes, é experimental e livre para decidir e ousar. Tem o direito de errar!
Certamente devemos manter os padrões internacionais dos saberes, devemos buscar sempre a excelência acadêmica. Ciência é procura, e busca e inquietação anárquica, livre e arbitrária. O saber tem que servir ao seu povo e ao seu tempo. Tudo isso Darcy Ribeiro nos ensinou. Agora refletiremos se nossos professores estão conscientes destes princípios fundamentais da UnB. Se nossos curriculums de cursos estão adequados para fazer cumprir a estes objetivos. Se a pedagogia e didáticas de ensino que aplicamos transmitem esta consciência patriótica. Temos, nós professores, esta consciência? Ou somos pragmáticos? Utilitaristas, no nosso mister? Estamos vivendo um outro momento de re-fundação da Universidade de Brasília. O processo da Estatuinte nos dirá o que queremos para nós e para o futuro do povo brasileiro.
Agencia UNB

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