Voluntário em Ceilândia treina corredores e vai mostrar seu trabalho nos EUA

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(Jornal de Brasília) “Ser convidado para palestrar nos Estados Unidos, para um cara que morou
na favela, é muito ‘top’. É muita coisa”. As palavras são do morador de
Ceilândia Albenes Souza,  56 anos. Ele mora no DF desde os 11 anos, vindo
de Ituaçu (BA), e criou o projeto Corredores de Ceilândia, que aproveita o
Centro de Formação de Atletas (Cefac) da cidade para produzir competidores e,
principalmente, cidadãos. 

Albenes foi procurado pela embaixada americana para se apresentar em
diferentes cidades por cerca de um mês, pelo projeto Inspirando Liderança
Jovem, Voluntariado e Ativismo Cidadão. Ele parte nesta sexta-feira junto a
outros 20 selecionados do mundo inteiro. Por enquanto, a emoção se mistura
  a um certo receio:  “Tenho medo de estar no lugar errado, na hora
errada”, revela. 

O semblante calmo e o sorriso fácil escondem uma vasta experiência com
atletismo e projetos sociais. “Com o esporte, além de oferecer ao jovem um
tênis, um caderno, você dá a perspectiva do sucesso. Atrai a pessoa a querer
brilhar”, diz o técnico em informática do Serviço Federal de Processamento de
Dados  (Serpro).

Futebol
Sua história começou ligada ao futebol. Jogou por dois clubes do DF, mas
teve de interromper a carreira aos 18 anos, pois, apesar de sondagens do
Atlético-MG, sua mãe o fez optar por conseguir um emprego estável. Mais tarde,
teve a ideia de iniciar o projeto Corredores. “Os jornais só falavam de mortes
e coisas ruins em Ceilândia, então fui atrás de encontrar um caminho para
ajudar a cidade”, diz.

No início, ele não tinha o conhecimento, apenas a vontade, mas conciliou
o gosto pela corrida com o trabalho e se especializou. Fez curso na Associação
de Federações Internacionais de Atletismo (IAAF)  e se formou em Educação
Física.

Cada conquista, uma alegria

Ao se especializar no
atletismo,  Albenes teve contato com diversos fundistas que  mais
tarde se tornaram renomados, como Marílson dos Santos,  bicampeão da
Maratona de Nova York e três vezes vencedor de São Silvestre. O ápice veio na
Olimpíada de Sidnei-2000, quando foi um dos treinadores de Leandro Macedo e
Mariana Ohata, competidores de triatlo que praticavam com Albenes em Brasília.
“Vínhamos trabalhando há dois anos juntos, sem as condições ideais, e
conseguimos competir em alto nível”, exalta.
Apesar das conquistas, o formador de atletas gosta de trabalhar a base
dos jovens e, se possível, orientá-los para que cresçam na vida. “Tem muita
gente que esteve no Corredores comigo e hoje é advogado, juiz. Eu exijo boas
notas dos meus alunos e incentivo eles a estudar”, garante. 
A respeito da formação de atletas, o voluntário acredita que ainda
faltam políticas públicas eficazes.  “Os centros olímpicos nunca vão
revelar talentos. Tem que ter técnicos comprometidos 24h com os atletas e no
dia a dia. São Paulo mantém a hegemonia do atletismo, enquanto em Brasília não
temos gente especializada”, aponta. “O cara tem que ir à Europa, ficar seis
meses competindo em alto nível para começar a almejar alguma coisa. Acredito
que falta intercâmbio de ideias com países vencedores”, acredita.
Mensagem
Apesar da frustração, ele pretende usar o exemplo de jovens que trabalharam
com ele e sua própria história  como parte do discurso motivacional
 nos EUA. “Vou dizer que tem que trabalhar com amor. Quando você quer
fazer alguém feliz, seu trabalho fica melhor, e você supera as dificuldades”,
diz.

*Informações do Jornal de Brasília

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