“Votar PPCUB agora só trará mais desgaste” afirma Vigilante.

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A tramitação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) poderia ficar para depois, na opinião do  distrital Chico Vigilante, líder do bloco PT-PRB. Para ele, a discussão pode acabar desgastando o partido e o governo do DF. “Todos esses temas mais espinhosos, deixa para discutir com mais tranquilidade, chamando a sociedade efetivamente para um grande debate. Brasília não vai ganhar nada com isso agora”. Além disso, o distrital faz pesadas críticas à aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, classificou como “oportunismo”. Afirma que a dupla tem diferenças ideológicas e que a união pode fracassar por isso. “Você não consegue fazer política ao juntar duas forças que vão estar o tempo todo se chocando”, disparou. 

Existe no GDF uma estratégia de ganhar a eleição por W.O.?
Não. Até porque, no jogo democrático, é importante que tenha adversários. O que o governador está fazendo é trabalhar muito. Conhece-se a situação em que assumimos o Distrito Federal, completamente acabado do ponto de vista moral.

Não podia fazer nenhum tipo de convênio, nem receber recursos federais. Todo mundo apostava que teria uma intervenção. O presidente Lula segurou e não fez isso. No primeiro ano, houve uma tentativa de desestabilização do governo e eu não tenho dúvida que se Agnelo tivesse sido desestabilizado, a representação política em Brasília acabaria, porque com uma segunda crise, não teria mais clima para ter eleição. Ela voltaria para a situação anterior, de governador nomeado e sem assembleia legislativa, sem nada. Compreendemos isso, trabalhamos, desmontando todas as denúncias e agora estamos demonstrando a importância estratégica de ter um governo com unidade com a presidenta Dilma. Portanto não tem essa estratégia. 

Qual a estratégia então?
Essa aliança entre PT e PMDB é fundamental. Sem ela, teríamos muito mais dificuldade de ganhar. No tempo em que viviam os azuis brigando com os vermelhos, parecia guerra. Brasília só perdeu com aquilo. À medida que nós demos as mãos, Brasília só avançou. Mas tem um detalhe: todo mundo que se apresentou para disputar a eleição, já foi governo em algum momento, não tem novidade. É hora de a população comparar e decidir, porque discurso novo não existe. O Reguffe se apresenta pelo PDT, que já foi governo. Toninho e Maninha já foram secretários no governo do PT. Eliana Pedrosa foi governo com Roriz e Arruda.
A votação de contas do ex-governador Arruda, que acabou aprovada, até com voto de deputados do PT, indica um acordo com o ex-governador?
Não. O que tem é que as contas que foram apreciadas pelo Tribunal de Contas e foi com o parecer favorável. A maioria dos deputados que estão lá participou do governo Arruda, como a deputada Eliana Pedrosa, e se sentiram no dever de aprovar. Eu me abstive em algumas e votei contra outras. Só que as verdadeiras contas não foram julgadas ainda. As contas de 2009 estão no Tribunal de Contas, com parecer contrário, e o ex-governador recorreu. Portanto a grande batalha sobre as contas do Arruda se desenvolve hoje no TCDF. E aí imagino o tamanho da pressão que está lá. Não tenho dúvida de que, se essas contas chegarem com parecer contrário na Câmara Legislativa, dificilmente serão aprovadas. 
As pesquisas ainda não indicam posição favorável do governador. É possível reverter esse quadro? O senhor acredita nas pesquisas? 
Quando nós começamos a campanha do governador Cristovam Buarque, o Valmir Campelo era imbatível. Cristovam começou com 3% e chegamos à vitória. Pouca gente acreditava. Aí depois que incorporou, todos vieram.
Mas Cristovam não tinha rejeição.
OK. Mas antes tínhamos passado por um processo onde o Arruda foi imbatível e depois ele teve uma derrocada e não disputou eleição. Tanto é que meu projeto era que o Agnelo disputaria apenas em 2014. Não era 2010 porque era certo que o Arruda sairia vitorioso. Portanto, os institutos de pesquisa, tenho o maior respeito por eles, mas pesquisa é momento. Infelizmente, no DF, a maioria das pesquisas é de acordo com o gosto de quem contrata. A verdadeira pesquisa é a da rua e eu tenho andado muito com o governador e não sinto essa rejeição.A questão do transporte público do DF ninguém teve coragem de enfrentar e nisso nós ganhamos. Até dezembro os ônibus estarão entregues. Esse processo do centro administrativo, que visitei ontem, é fantástico. É a única parceria público-privada que dá certo. Vamos ter muita coisa para mostrar para a sociedade. A questão da saúde muita gente critica, mas eu tenho uma pesquisa de um instituto respeitado que mostra que 60% das pessoas que criticam a saúde nunca foram a um hospital público. É fácil avaliar sem ir lá. Estamos avançando para uma cobertura primária total, que é o que realmente faz com que os hospitais não fiquem cheios. Antigamente a política era de hospitalizar, ou seja, a indústria das UTIs privadas. Tudo isso a gente está quebrando no DF. 
Mas o senhor não considera as denúncias relacionadas à influência do advogado Sacha Rech e a maneira como foi feita a licitação?
Todas essas denúncias estão em mais de 200 ações judiciais e derrubamos todas. Logo, é a prova de que não tinham fundamento. Apelaram para a Justiça Federal, Justiça do Trabalho, para tudo e nós vencemos. Outros governadores não teriam a coragem de pagar os trabalhadores, porque sem pagar, esse sistema não se implementaria. Esse é o Estado defendendo o mais fraco. Isso é, fico ao lado do trabalhador.
O tamanho da base que o governo possui na Câmara ajuda ou atrapalha?
A Câmara Legislativa do DF funciona ao contrário de outras, a Assembleia de São Paulo, por exemplo. Lá, o governador só precisa dela na hora de aprovar o orçamento. Aqui, a nossa carta constitucional, que é a Lei Orgânica, é parlamentarista. A Câmara pode tudo e o governador não pode quase nada. Aqui, até para trocar um poste precisa de autorização dos deputados. Portanto, precisa dessa base desse tamanho. De 21 deputados, se você acompanhar todas as votações, ficamos ali em 13 ou 14, quando precisa de 16, conseguimos colocar. Base é assim mesmo. Até pela formação, cada um representa um segmento. Nunca estão todos satisfeitos. Aqui nessa gestão, não tem pagamento para deputado nenhum. Tem discussão política, onde as pessoas indicam cargo e isso é normal é qualquer lugar do mundo. 
No último debate das eleições do PT ficou claro que existe muito fogo-amigo dentro do partido. Isso atrapalha a campanha do governador?
Não, porque está resolvido dentro do PT: não vai ter prévia. O candidato é Agnelo Queiroz e o vice é o Filippelli. Eu sou fundador do PT e sempre digo que é uma família. Irmãos brigam entre eles, mas se mexer com um irmãozinho, parece um bando de marimbondo. Todo mundo vai para cima. Isso faz com que o PT seja vivo e mantem a essência do partido.
Como foi esse período de boatos sobre o racha entre PT e PMDB?
Vou revelar um fato que falei para poucas pessoas. O vice-governador Filippelli era o presidente do PMDB e eu do PT. Eu sempre ligava para a imprensa e dizia que essa aliança ia acontecer. Ninguém acreditava. Toda semana eu almoçava com o Filippelli. No dia em que ele foi para o governo Arruda,  me comunicou, mas disse que a aliança continuava de pé. Agora, depois da aliança nacional, com Dilma e Michel Temer, isso se consolidou cada vez mais. Divergência vai sempre acontecer. Boa parte das militâncias dos dois partidos se estapearam a vida inteira. O que a gente tem que ter agora é compreensão entre as lideranças, governador e vice. Tem um detalhe interessante: Agnelo vai ganhar a eleição ano que vem, mas ele é novo ainda e deve sair em 2018 para concorrer a algum cargo eletivo e quem assume é o Filippelli, que deve ficar por no mínimo nove meses. Duvido que o PT queira brigar com o governador durante nove meses. 
Alguns temas vão ser levantados pela oposição durante a campanha, um deles é o caso dos fakes na internet, supostamente financiados pelo Buriti. O partido reconhece a existência disso?
O partido não fez isso. Tanto é que os mais atacados no submundo somos nós, petistas.  Uma coisa muito importante hoje é a direção da Polícia Civil ter liberdade ampla para divulgar tudo que for notícia, de qualquer tipo de falcatrua. 
Como deverão tramitar o PPCUB e da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), projetos que tem passado por muitas polêmicas?
Eu fui um dos que defendi que se deveria retirar esses dois projetos da pauta e continuo na minha posição de que eles não deveriam ser representados. O momento não pode ser boa para essa discussão. E não me venha me dizer que se está engessando a cidade, pois uma cidade que tem 600 mil moradias irregulares, ninguém deu conta de regularizar. Muita gente ganhou eleição dizendo isso. A minha tese é que a gente tem que regularizar efetivamente pelo menos 50 condomínios para mostrar que a gente regularizou. Tem muita coisa que tem que deixar para depois. Aí de repente uma questão importante para a cidade, como o Setor Hoteleiro, contamina a eleição. 
O que o senhor propõe para esses temas polêmicos, como o adensamento do centro da capital e o comércio no Eixo Monumental?
Por isso eu defendo que não tenha voltado a debate. Essa questão de modificar o Eixo Monumental: tem que deixar do jeito que está. É a concepção original de Brasília e para que mexer agora? Depois, chega-se lá na frente e se vê que estava errado. A questão do Setor Hoteleiro, será que nós temos necessidade de construir mais leitos no DF? E por que não construir nas cidades? Tem que ser no Plano. Temos um hotel lá no Centro de Ceilândia que hospeda a tripulação de uma companhia aérea, porque temos o Metrô. Por que não desenvolver as cidades, fazendo bons hoteis? Dar condição para que as pessoas cheguem lá. No meu ponto de vista, o Plano Piloto já está saturado.
O senhor teme de que esse governo fique marcado como responsável por aprovar um projeto que prejudicou a cidade?
Por isso que isso não tem que ser discutido agora. Nós temos mais um ano e pouco de governo. A partir de junho é campanha. Portanto, deveríamos deixar todos esses temas mais espinhosos para discutir com mais tranquilidade, deixando a sociedade efetivamente para um grande debate. Brasília não vai ganhar nada com isso agora. Não temos que pensar tão no imediatismo.
Com essa movimentação de Marina Silva e Eduardo Campos, o senhor viu alguma movimentação do ex-presidente Lula de ser candidato novamente?
Conheço o presidente Lula há mais de 30 anos. Ele é padrinho do meu filho mais velho. Lula não tem nenhuma disposição de ser candidato a presidente novamente. 
A aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos é uma ameaça?
Eduardo Campos participou de nossos oito anos de governo Lula e de dois anos e meio de governo Dilma. Então, o que tem de novo aí? Pernambuco só é o que é porque Lula era presidente. Se não fosse, Eduardo não seria o que é também. A Marina eu tenho pena dela, do comportamento que ela tem tido. A Marina é uma pessoa que até os 16 anos morava na floresta, a Igreja Católica trouxe ela para estudar e ela largou essa igreja. Depois, ela veio para o PT, muito importante, fundadora, tem todo o respeito. Agora, quando a Marina chegou no Ministério do Meio Ambiente,  transformou-o em uma central de ONGs e elas não querem em hipótese alguma o desenvolvimento deste País. E tem muitas ONGs que são bancadas por empresas estrangeiras que não querem que os países que estão se desenvolvendo se desenvolvam efetivamente. Agora, tem muita gente financiando esse discurso lá de fora para que o Brasil continue o que é, sem se desenvolver e sem ameaçar as grandes potências. Aí que entra o embate entre Marina e Eduardo Campos. Porque ele, até onde me consta, prima pelo desenvolvimento, com obras como Porto de Suape, tudo isso. Vão se chocar. Houve um grande oportunismo ali. Você não consegue fazer política juntando duas forças que vão estar o tempo todo se chocando. E, mais, 2014 não é 2010. Marina era novidade e hoje não é mais. Houve uma ponta de inveja, porque foi escolhida a Dilma e não ela. Ela diz que é novidade, mas por que não põe na internet quem banca as viagens, tudo para a fundação da Rede? Por que não diz que tem banqueiro por trás?  Tem bicho mais odiado do que banqueiro neste país? É legítimo bancos querendo assumir, mas não fiquem posando de anjo.



Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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