Zé tinha nome, coronel. Era Antônio. Ache quem matou

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Foto: Reprodução - G1
Estapafúrdia. Isso é o mínimo que pode ser dito da declaração do coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira, de que nenhum policial militar do Distrito Federal seria capaz de matar ‘um Zé qualquer’. Uma frase que cheira a prepotência, discriminação e racismo. E que merece ser investigada.

O Zé em questão foi a alcunha atribuída pelo coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira a Antônio de Araújo, encontrado morto com o corpo encoberto de areia, numa área rural de Planaltina. E Antônio, e não um Zé ninguém, um indigente, foi visto vivo pela última vez levado pelas mãos de policiais militares.
A declaração do coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira, feita a G1, é chocante. Logo ele, secretário-adjunto de Segurança Pública da capital da República e corregedor da Polícia Militar, responsável por identificar e punir policiais militares que buscam fazer justiça com as próprias mãos.
Não parece lógico que policiais militares brasilienses tenham sido responsáveis pela morte de Antônio. Mas a lógica – e o coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira precisa saber disso – existe para ser contrariada. O que não é lógico é um cidadão simplesmente desaparecer na companhia de policiais. E ser encontrado morto meses depois.
Para deixar bem claro: “Tenho oito anos de Corregedoria e investiguei muitos policiais militares. Não me parece lógico, não estou dizendo que não ocorreu, que oito policiais tenham matado um ‘Zé’ porque ele entrou na casa do cara”. Foi a frase do coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira.
Antônio, auxiliar de serviços gerais, tinha 32 anos. O irmão dele, Silvestre Araújo, demonstrou indignação com o fato de a vítima ter sido chamada de “Zé”. “Eles acharam que mataram um ‘Zé’ e que ninguém ia atrás do ‘Zé’. Mas atrás desse Zé tinha alguém”, disse. “Como pode chamar meu irmão de Zé? Matou meu Zé, e meu Zé tinha dono e agora a polícia vai ter que dar explicação para a população.”
Jorge Xavier, diretor da Polícia Civil, garante que o auxiliar de serviços gerais foi visto vivo pela última vez sendo levado pelas mãos de policiais  militares. “Não há dúvidas sobre quem foram as últimas pessoas a ter contato com Antônio”, sustenta o delegado. Xavier tem o testemunho do policial de plantão que atendeu a ocorrência de uma suposta invasão a uma chácara de um sargento da PM.
Ninguém está acima da lei. Jorge Xavier promete que não haverá corporativismo na investigação. “A gente precisa produzir prova robusta sobre o que aconteceu. A gente não é pago para castigar ninguém, é pago para apurar a verdade”, enfatiza. “É o que vamos fazer quando o laudo estiver pronto.”
O Zé do coronel Paulo Roberto Batista de Oliveira se chamava Antônio. Há a esperança de que os fatos sejam esclarecidos, os criminosos punidos. Se Xavier, que não é nenhum Zé Ninguém, não honrar a palavra dele, há outras instâncias. E esses coroneizinhos metidos a besta que andam dizendo asneiras, aprenderão a medir as palavras.
Por José Seabra

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